Casa Amarela cada vez mais cidadã

Eu sempre costumo dizer que nada como comunidade organizada, exercendo o seu dever e cobrando o seu direito. Isso é muito salutar, principalmente onde há omissão do poder público. Me refiro à população de Casa Amarela que, como todos sabem, ocupou uma área degradada, transformando-a em horta e espaço de convivência, o que contribui para fortalecer os laços entre os moradores.  O bairro cresceu muito,  está se verticalizando, e precisa de atenção.  E muita. O Instituto Casa Amarela  Saudável e Sustentável (Icass) estima que hoje sejam 50 mil os seus moradores, o que não é pouco. E tudo falta: segurança, equipamentos urbanos, praças, limpeza, canais limpos.  Essa semana, mais uma vez, a comunidade fez a sua parte.

Representantes do Icass estiveram na Empresa de Urbanização do Recife (URB), onde foram recebidos pelo Presidente (João Alberto Costa) e seus assessores. Ao encontro, também compareceram síndicos daquele bairro da Zona Norte. A pauta da reunião, vejam que coisa boa, foi entregar projetos sugerindo intervenções no bairro. Os projetos foram elaborados por professores e alunos de arquitetura, residentes em Casa Amarela. E são baseados nas revindicações da população, que se queixa da insegurança, da presença do tráfico de drogas e da desordem urbana. O polígono enfocado no momento fica entre a Estrada do Arraial, a Avenida Norte, Ruas da Harmonia e Guimarães Peixoto.

Moradores de Casa Amarela, via Icass, apresentam projetos para o bairro à Urb  para humanizar ruas e praças do bairro.

Os projetos sugerem várias intervenções: a “requalificação”, na verdade a construção da Praça Arnoldo Magalhães, que de praça só tem mesmo o nome, e cujo espaço encontra-se muito degradado. Querem urbanização do trecho da Avenida José dos Anjos  (que fica entre a Guimarães Peixoto e a Arnoldo Magalhães). O trecho não tem calçada nem calçamento. “É muita desordem urbana, as pessoas nem sabem por onde andar e ainda enfrentam poeira”, reclama o coordenador do Icass, Vandson Holanda. Moradores pedem equipamentos urbanos para a horta que implantaram, no terreno antes ocupado com lixo e metralhas.

O espaço tem hortaliças, fruteiras e ervas medicinais, mas não possui banquinhos para a população se sentar. Bancos sempre motivam maior permanência dos moradores em áreas públicas, como praças e jardins. Querem, também, limpeza do canal que passa na área, instalação de câmeras de segurança e humanização do trânsito, com criação de uma Zona 30, que possa permitir permanência de crianças nas ruas. “O Presidente da URB se comprometeu a visitar o trecho nos próximos dias e estudar as possibilidades de intervenção na área com a participação da comunidade”, informa Vandson, na rede social do bairro. Bom nisso tudo é que já há empresas interessadas em colaborar com a melhoria das áreas em questão. Tem mais, os moradores de Casa Amarela estão tentando implantar a Rede de Síndicos do bairro para Segurança.   Encontro sobre o assunto está segundo agendada, com a presença dos dirigentes da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco. Olalá.

Leia também:

Entre a horta urbana e a insegurança
Fim de semana “Zen” na Zona Norte
Sementes que brotam na Zona Norte
Olha! Recife extra no Sítio Trindade
Praça renovada no Poço da Panela
A felicidade coletiva do Jardim Secreto
História do Jardim Secreto para crianças

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Icass / Divulgação

Compartilhe

Deixar uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.