“Pulmão” protegido no Grande Recife

Criar uma área de proteção ambiental e deixar para lá, é mesmo que não criar. Para que uma APA tenha êxito é preciso que a população local e circundante seja motivada a cuidar do território protegido. E agora vou dar uma boa notícia: com 31 mil hectares, a APA Aldeia-Beberibe vai ser beneficiada com recursos de compensação ambiental, que servirão para desenvolver projeto para restauração florestal e recomposição da mata ciliar.

Para que se tenha uma ideia da importância dessa APA, basta informar que ela se estende por oito municípios: Recife, Paulista, Abreu e Lima, Camaragibe, Paudalho, São Lourenço da Mata, Igarassu e Araçoiaba, na Região Metropolitana e Mata Norte do Estado. Em alguns desses – como a própria Capital e Paulista – o que resta da Mata Atlântica vem sucumbindo ao avanço da especulação imobiliária. A expectativa é que a população tenha participação ativa no processo.

A Apa Aldeia-Beberibe deverá ganhar viveiro de mudas que servirão para implantação de corredores ecológicos.

O termo de compromisso nesse sentido foi assinado nesta semana, entre o Governo de Pernambuco (através da Agência Estadual do Meio Ambiente – Cprh) e a Interligação Elétrica Garanhuns S.A. Pelo acordo, a empresa investirá R$ 331.132,22 em educação ambiental, para capacitar  e motivar a população na defesa da APA Aldeia-Beberibe. A execução tem ínicio em novembro, devendo se estender até outubro de 2018. Aldeia-Beberibe é uma Unidade de Conservação de uso sustentável e receberá esse investimento como compensação à instalação de uma linha de transmissão de 222 quilômetros (entre Garanhuns e Pau Ferro), da Interligação Elétrica Garanhuns. O próprio empreendedor será responsável pela execução do projeto Formação em Educação Ambiental e Recomposição de Matas Ciliares na APA Aldeia-Beberibe. A supervisão será da Cprh e do Conselho Gestor da APA.

O acordo foi assinado por Benedito Parente (da Interligação Garanhuns) e Eduardo Elvino (Presidente da Cprh). E prevê várias atividades para o cumprimento da compensação ambiental exigida, todas envolvendo moradores. Algumas das ações previstas são:  curso de Formação de Agentes Populares em EA, capacitação voltada para restauração florestal, recomposição de matas ciliares e construção de um viveiro de mudas florestais. O projeto deve deixar como um dos legados, um viveiro de mudas florestais, que serão utilizadas na implementação de corredores ecológicos na APA. A ação prevê parcerias com prefeituras, e a de Camarajibe já se prontificou a ceder espaço (para a capacitação), água e luz.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Divulgação / Cprh

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