No metrô, com saudade do velho trem

No último domingo, não fui à praia. Foi dia de exceção da regra, quando troco a areia de Boa Viagem por um passeio, a pé, com o Grupo Caminhadas Domingueiras. Eram mais de 200 caminhantes. Nós nos encontramos na Estação Recife do Metrô, antiga Estação Ferroviária, uma das relíquias arquitetônicas da nossa cidade, da qual guardo saudosas recordações da infância, quando viajava de trem para Vitória de Santo Antâo, com minha família. Era uma delícia. O trem não dava muito conforto, mas eu e minhas irmãs não queríamos nem ouvir falar em ônibus.

As cadeiras tinham o encosto móvel, não havia carro restaurante e as paisagens que a gente via ao lado dos trilhos eram muito verdes, em sua grande maioria. Bem diferentes daquelas que a gente vê a partir das janelas do metrô de hoje: favelas, casas de zinco, desordem urbana, verde zero.  Compramos nossos tíquetes – R$ 1,60 – mas na hora do embarque, muitas pessoas se atrapalharam, ao tentar passar nas catracas. Um funcionário do Metrô apareceu para resolver a “emergência”. Ele explicou, levantando a voz e um cartão: “Atenção, é assim. Coloca o cartão no orifício, que a máquina puxa”. Explicação dada, fila apressada.

Com Gisele Rizzuto, pouco antes de tomarmos o metrô para Estção Cosme e Damião: saudade do trem antigo.

No vagão em que viajei, o calor estava infernal. Somando a do Recife e o nosso destino final, em Camaragibe, eram nada menos de 15 estações. Faltando três, o calor melhorou, mas o sistema de ar ligado não deve ser suficiente para um carro cheio. Fiquei a imaginar o sacrifício de trabalhadores, durante a semana, ao enfrentar um calorão daqueles. Devem chegar esfolados aos seus serviços. Por onde passamos, também não vimos escadas rolantes em funcionamento, o que não deve ser nada confortável para pessoas idosas ou com dificuldade para subir escadarias entre uma parada e outra.

Por fim, chegamos à Estação Cosme e Damião, quase uma hora depois. Ela foi concluída às pressas, para receber torcedores que iriam à Arena Pernambuco, durante a Copa do Mundo de 2014. Fica, portanto, próximo à Arena Pernambuco. A impressão que nos dá, no entanto, é que as saídas foram subdimensionadas em se tratando de passagem para multidões. Foi fácil perceber isso, quando lá desembarcamos. Não vimos, também, escadas rolantes funcionando. Era um domingo, dia de pouco movimento, mas mesmo assim, era grande a gritaria de vendedores ambulantes no interior do vagão. Mercadorias são muitas: água, balas, bolos, sequilhos, bolinhos de goma, pipocas. Normalmente não custam mais de R$ 1. Chegamos, enfim, ao nosso destino, de onde partimos (por uma trilha na mata) para a Oficina  Francisco Brennand, na Várzea.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Fernando Batista / Cortesia

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2 comentários

  1. Amei participar da caminhada domingueira, ainda tive a honra de ser fotografada pela blogueira.
    Muito agradecida!
    Gostaria de ser avisada das próximas caminhadas. Um abraço Leticia!

  2. Bela crônica , Letícia. Um relato objetivo e poético que conseguiu traduzir o movimento interativo da bem sucedida caminhada. Muito importante o seu registo e, espetacular a coordenação de Francisco Cunha, considerando o elevado número de caminhantes. Tudo perfeito e agradável . Parabéns a Francisco pela performance, ao observatório pela participação efetiva e aos caminhantes pela interação e civilidade👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻

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