Nos mistérios e labirintos de Solidão

Quem não se lembra de Macondo, a imaginária cidade de Cem Anos de Solidão? “Macondo é uma aldeia de 20 casas de barro e taquara, construídas à margem de um rio de águas diáfanas que se precipitavam para um leito de pedras polidas, brancas e enormes como ovos pré-históricos”. Pois foi pensando na Macondo de Gabriel Garcia Marquez, que o fotógrafo Tiago Calazans se inspirou para produzir as fotografias que deram origem à exposição Solidão, que ele inaugura às 19h de hoje, no Museu Murillo La Grega, no bairro de Casa Forte. A Solidão real fica no Sertão de Pernambuco, a 400 quilômetros do Recife. Conta a lenda que o povoado teve início quando um viajante, em busca de minérios, lá montou sua morada sob um pé de juá.

O homem teria depois comprado terras, e doado a uma filha, Conceição. Por volta de 1870, Conceição as teria vendido a um paraibano chamado Jesuíno Pereira. Religioso, Jesuíno chamou um padre para celebrar missa na sua propriedade. O sacerdote espantou-se com o isolamento, e teria dito: “Quanta solidão”. Jesuíno não sabia o significado da palavra, mas pediu explicação ao padre. E aí, surgiu o nome do vilarejo, que só seria elevado  à categoria de município em 1963. Tiago mergulhou fundo, e descobriu a religiosidade da população local, de cerca de 6 mil habitantes. Eles contam que havia uma fonte de água milagrosa, na Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, padroeira local . A sua água teria poderes mágicos de cura. A fonte, no entanto, secou, mas isso não abalou a fé daqueles sertanejos, e a gruta é até hoje um dos centros de romaria do Sertão.  Na exposição Solidão, praticamente não há fotos que retratem as pessoas. Mas sim a solidão da cidade sertaneja, suas ruas, paisagens, imagens.

Ele explica porque optou por fotos sem a presença humana. Em apenas uma, aparece um menino, mas não sua fisionomia. “Solidão é um ensaio sobre um lugar não físico, um lugar que nos habita por dentro ou que nos esvazia. Uma terra, uma raiz, uma fé, uma ausência de caminho, de saída”, delimita o fotógrafo. A exposição tem curadoria da também fotógrafa Pri Buhr, com produção de Thaís Vidal. E  ficará em cartaz até o dia 22 de dezembro de segunda a sexta, das 9 às 12h, das 14h às 17h. Tiago Calazans é fotógrafo desde 2009 e sempre atuou na fotografia autoral. Já participou de quatro exposições no Brasil: Faces da Fé, Discromatopsia, Banzo e Solidão (sua segunda individual).Teve seu primeiro trabalho,  Chronus, exibido em Belém. E participou com Solidão da exposição coletiva Everyday Brasil, organizada pela Everyday Golshahr, em maio de 2017, no Irã. E também na III Mostra de Projeções da Fotoativa, em agosto de 2016, em Belém.

O projeto foi contemplado, em 2014, pelo edital de Artes Visuais da Fundação de Cultura da Prefeitura do Recife e as viagens do fotógrafo à cidade começaram neste mesmo ano, contando também com o apoio da Prefeitura de Solidão. Foram dois anos de imersão no projeto. Tiago Calazans é fotógrafo desde 2009 e sempre atuou na fotografia autoral. Já participou de quatro exposições no Brasil: Faces da Fé, Discromatopsia, Banzo e Solidão (sua segunda individual).Teve seu primeiro trabalho,  Chronus, exibido em Belém, já expôs os ensaios Faces da Fé, em 2012, Discromatopsia e Banzo, em 2014, e participou com Solidão da exposição coletiva Everyday Brasil, organizada pela Everyday Golshahr, em maio de 2017, no Irã. E também na III Mostra de Projeções da Fotoativa, em agosto de 2016, em Belém.

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Serviço

Exposição Solidão, do fotógrafo Tiago Calazans
Abertura: 25 de outubro, às 19h
Visitação: De 26 de outubro a 22 de dezembro, das 9h às 12h e das 14h às 17h, de segunda a sexta
Local: Museu Murillo La Greca, na Rua Leonardo Bezerra Cavalcante, 366, Parnamirim
Entrada Gratuita
Informações: 3355-3126 (Murillo La Greca)

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Tiago Calazans / Divulgação

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