Josildo Sá: forró, frevo,romantismo

Pensem em um cara versátil. É esse tal de Josildo Sá, com quem encontrei casualmente, dia destes, enquanto tomava um café no Plaza Shopping (filando o Wi Fi de lá, já que a Oi estava fora do ar, no meu bairro). Em minha vida de repórter, eu o encontrei muitas vezes, em reuniões políticas, onde havia muitos prefeitos. Profissional que só ele, estava sempre lá, com portfólio debaixo do braço, garimpando oportunidades de fazer shows em municípios do interior.

Recordando o fato, ao encontrá-lo, descobri que o artista é o “vendedor” dele mesmo. Ou melhor, de sua arte. Função que aprendeu a desempenhar lá atrás, para ganhar a vida, coisa que eu não sabia. “Sou bom vendedor, sim. Comecei vendendo redes de Tacaratu. Já vendi cerveja, Café Cravo na Bahia e fui representante da Prada (chapéus) por mais de dez anos”, informa. Tacaratu – localizada a 400 quilômetros do Recife – é a cidade onde o artista nasceu, famosa pela fabricação de redes. Há muitos artistas que não têm essa capacidade, precisam de empresários para “vender o peixe”. Josildo, que estava de viagem para Tacaratu, onde se concentra para criar, vai à luta.

Encontrei Josildo Sá por acaso, enquanto tomava um café, e a conversa terminou rendendo um quem aqui no #OxeRecife.

Mas, como artista, ele também é versátil. Lembro de um show inesquecível que fez no saudoso Teatro do Parque, junto com Paulo Moura. É conhecido pelos seus sucessos do forró, mas arrancou elogios da crítica com o Samba de Latada, projeto do qual jamais se desvinculou. Conhecido pela música típica do seu sertão – o forró – ele também incursiona por outros ritmos, como o samba, a música romântica e o frevo. O que não é fácil. Tem cantores de forró, aqui em Pernambuco, que viram um desastre como intérpretes de frevo. Como também há os intérpretes de frevo que “escorregam” um horror, quando vão para o forró. Com Josildo, isso não acontece. Ele é bom em tudo. Já chegou a ser premiado duas vezes, em concursos de frevo no Recife.

“É fácil cantar frevo, porque canto para que o povo arraste o pé e, nesse caso, o frevo termina sendo primo do forró”, resume. Simples assim. “É só colocar uma caixa, metais, e está feito o frevo”, simplifica. No entanto, confessa: “Mas cantar o frevo e mais difícil para mim, porque sou forrozeiro. Deve acontecer a mesma coisa, quando o cantor de frevo incursiona pelo forró”. Para Josildo, “existem cantores e intérpretes”. E ele se considera um cantor, “lutando para ser intérprete”. E está com um projeto no forno (Sons da Latada), que ser lançado em 2018. No momento, dá um passeio pela música romântica, inspirada em Lupiscínio Rodrigues (1904-11974). Mas o repertório não inclui só composições do grande mestre. “Mas tudo que tem a ver com a estética e o universo dele”. Josildo é assim. Em julho, pode sair da Missa do Vaqueiro, de chapéu e gibão, depois de um show. Chega em casa, veste o smoking, e vai para um show, em cerimônia bem formal.  Versátil, que só ele. Josildo é gente, é quem.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Divulgação e Isabella Medeiros

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