Caminho das pedras em Boa Viagem

Diz o ditado popular que “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. Quando estive na Chapada Diamantina, na Bahia, percebi como ele é preciso. Lá, a água passa com tanta força entre as pedras, que algumas terminam cavadas, com o interior tão liso, que parecem caldeirões, onde os turistas tomam banho naquelas águas riquíssimas em sais minerais que vêm das próprias pedras e da vegetação. Elas fizeram bem à minha pele (ficou macia) e ao cabelo (que não precisou de xampu naquele dia).

Lembrei do ditado e daquele fato, ao caminhar hoje, pela praia de Boa Viagem, onde há algum tempo foram colocados blocos de granito, para proteger a orla (já que a avenida e os edifícios avançaram pela areia, deixando pouco espaço para o movimento do mar). Isso porque está está impossível caminhar à altura do Edifício Castelinho, porque há excesso de pedrinhas na areia, logo ao lado dos blocos de granito para proteção da Orla. Não sei se são restos de construção que algum irresponsável deixou lá. Ou se são pequenos pedaços que vieram com as grandes, na obra de defesa da avenida, e que agora estão se espalhando.

Ou quem, sabe, pedaços se desprendendo, dentro daquele velho conceito de água mole em pedra dura. O fato é que não há como a pessoa caminhar naquele trecho, porque corre o risco de se machucar (como se não bastassem nos buracos das nossas calçadas e as pedras portuguesas soltas…) Talvez fosse interessante a Prefeitura recolher esses pequeno pedaços de pedras, porque eles vão se espalhar ainda mais, provocando riscos de acidentes. Na verdade, as rochas colocadas junto ao paredão que separa a avenida da areia são apenas a prova de que alguma coisa está errada no nosso litoral, onde as construções são quase dentro d´água.

Estive recentemente em Sergipe, e observei o cuidado com a preservação das praias de Aracaju. A avenida que margeia a beira-mar é bem recuada. E a vegetação rasteira que evita a erosão (segurando a areia) é toda preservada. Para evitar que ela seja pisoteada, foram construídas passarelas de madeira suspensas, que conduzem o banhista do asfalto até à areia. Aqui, essa vegetação foi praticamente suprimida, restam poucos vegetais na areia e o mar está pedindo de volta a faixa de praia que os homens lhe roubaram. E é uma pena que uma praia maravilhosa, como é Boa Viagem, não conte com melhor atenção do poder público e esteja se degradando dessa forma. Já não bastam os edifícios, que parecem ter gabarito ilimitado? Andem pela orla de João Pessoa, na Paraíba, e vejam a diferença.

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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife

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