Pedras portuguesas sem certeza

Dia desses, estava observando no Instagram fotografias postadas por brasileiros, que se encontram viajando por Lisboa. Uma coisa me chamou a atenção: a qualidade das calçadas de pedras portuguesas. Tudo nivelado, bonitinho, nenhuma solta, e sem problema para se caminhar. Bem diferente das que enfrento no Recife, não só as de áreas públicas como também as de condomínios particulares. Problema que ocorre tanto no Centro, na Zona Sul quanto na Zona Norte.

Um casal amigo que voltou recentemente de Portugal também me fez essa mesma referência. Tanto ele quanto ela disseram-se impressionados com o assentamento das pedras nas calçadas daquele país, que não oferecem nenhum risco de tombo, bem diferente do que ocorre em nossa capital. Neste final de semana, andando pela praia de Boa Viagem, fiquei impressionada com a quantidade de pedras soltas, nas calçadas de diversos edifícios. Caminhei por três quarteirões, sempre enfrentando o mesmo problema em todas elas: buracos, pedras rolando, assentamento irregular.

Pedras portuguesas das calçadas do Recife nem de longe se assemelham com as de Lisboa, que são lindas.

Pois não é que no centro do Recife o problema se repete? Estive recentemente na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no bairro de Santo Antônio, acompanhando um passeio do Olha! Recife. E fiquei nem um pouco contente com o que vi. Apesar da Igreja estar incluída no roteiro turístico religioso do Recife, o acesso a ela é de botar qualquer turista para correr. Na Rua do Rosário, encontrei buracos entre as pedras portuguesas, esgotos destampados e até uma carroça puxada a cavalo, na via que deveria ser apenas de pedestres. Bagunça completa e absoluta.

A Igreja, como vocês lembram é um importante monumento religioso, construída entre 1662 e 1667. Depois de um período de ruína, foi recuperada a partir de 1777, além de ter sido o único templo onde os escravos tinham acesso, nos tempos do Brasil Colônia.  A igreja está bem cuidado, mas chegar até ele para ouvir a sua história é um processo, com risco de queda. Contei dezenas de buracos, cada um pior do que o outro. Agora me digam uma coisa, custa nada cuidar melhor da nossa cidade? Qual a razão de se deixar que nosso centro fique tão detonado?

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife

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