Parem de derrubar árvores (56)

Meu Deus do céu, tem jeito não. O arboricídio parece mesmo não ter fim nas ruas do Recife. A mais recente vítima da motosserra insana fica na Rua Laurindo Coelho, no bairro de Casa Forte. Na calada da noite, no último domingo, ainda havia muitos galhos espalhados pelo chão, segundo me informaram. Hoje passei lá e constatei: está lá a árvore degolada, mais um para reforçar o triste título de capital nacional dos toquinhos para o Recife. Na sua cruzada contra esse arboricídio,  #OxeRecife  mostra  dois “indivíduos” degolados, ambos na Zona Norte.

Encontrei uma outra árvore assassinada, no bairro da Tamarineira, na Rua Soares Moreno, onde fica a Vila dos Comerciários. Há mais de duas semanas solicitei informações oficiais sobre as derrubadas aqui no Recife, mas a Emlurb não deu. E acredito que não vai dar retorno. Não há mesmo como explicar a “redução” no número oficial de árvores erradicadas, que eram 5 mil em  2015. E que na última informação que me deram, em 2016, eram 4 mil. Ainda aguardo números oficiais atualizados, esclarecedores e não contraditórios.  Pelo que vejo, esse assunto virou mesmo caixa preta. É como diz a leitora Sofia Lopes, que chama o Recife de “cidade carente de verde, e campeã em destruição de árvores”.

Esse toco fica na Rua Soares Moreno, na Vila dos Comerciários, bairro da Tamarineira. Cadê a reposição? Ninguém faz.

Não esqueço nunca uma frase do colega Rodolfo Aureliano, outro que levanta a voz contra essa destruição do que resta de verde no nosso Recife. “O ritmo da derrubada é industrial”, reclama. E é mesmo. No caso da Rua Laurindo Coelho, a informação foi que a árvore foi atacada de cupins. “Estava  oca”.  E não há remédio para cupim? Se chegou a um ponto tão grave de risco é porque deixaram a praga se espalhar. O fato é que, como muitas outras aqui no Recife, a árvore é “erradicada”, mas o tronco fica lá, impedindo que se plante outra no lugar.

“A Emlurb não conhece as árvores escoradas, alinhadas dos parques franceses? Também não conhece a reposição de árvores adultas no litoral australiano? Não é difícil acessar essas coisas”, diz o leitor Márcio Alain. “Talvez em horas se tenha todo esse material e, com o apoio do cidadão comum, sem custos, tenhamos como evitar cenários como esses”. É verdade. Dia desses mataram duas ou três árvores na Avenida Rui Barbosa, na calçada do Colégio das Damas. Esta semana passei lá, para checar se houve reposição. Houve. Mas a plantinha que botaram para repor tem menos de meio palmo e apenas uma folhinha. Não é à toa, portanto, que 30 por cento das “mudas” plantadas pelo poder público não cresçam. A alta “mortalidade infantil” tem, portanto, os seus motivos.

Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

 

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