O Poço das Artes de Clarissa Garcia

Antropóloga e artista plástica, Clarissa Garcia é, também, uma “agitadora” cultural. No bom sentido, claro. Moradora há quase três décadas no Poço da Panela, ela tentou viabilizar o Poço das Artes, que ocorreria nos mesmos moldes do Arte em toda Parte, que durante tantos anos fez a festa na cidade de Olinda, durante o verão.  “A ideia era reunir escultores, pintores, artesãos do bairro, para que abrissem seus ateliês ao público em datas marcadas, já que o Poço da Panela tem atraído muitos artistas nos últimos anos”, conta. A proposta não vingou, mas ela terminou por agregar artistas. E realiza neste final de semana a Feira do Poço das Artes. É na sua própria residência, onde funciona, também , seu ateliê (Rua Álvaro Macedo, 54, Poço da Panela). Na feira, tem também exposição dos seus trabalhos.

Na década passada, Clarissa sempre abria sua residência para artistas. Teve até concerto e apresentação de grupo de chorinho. Ela dividia essas atividades com o trabalho em repartição, como antropóloga. Depois  de deixar o serviço, agora se  dedica integralmente à produção de suas foto aquarelas, e de eventos como o Poço das Artes. “Resolvi assumir a vida de artista e preciso de espaço para mostrar meu trabalho”, conta. E acrescenta: “E há artistas na mesma situação. Então decidi abrir a casa para eles”. A arte de Clarissa é muito bonita e realça a beleza de cidades como Recife, Olinda e Igarassu. São coisas que a gente vê todos os dias, mas cuja beleza as pessoas comuns nem percebem. Mas quem é artista e poeta, consegue ver muito mais. E até exaltá-las. E é isso que ela faz.

Clarissa mostra o lado bonito, poético e colorido de cidades como Olinda, Recife e Igarassu em suas foto aquarelas.

Ela fotografa as paisagens, imprime em um papel que suporte a pintura, e depois pinta com técnicas variadas. Em seguida, digitaliza o que fez e reproduz o resultado em suportes que tanto podem ser papel ou tela. Os trabalhos tanto  retratam um bairro afastado, como o próprio Poço da Panela, quanto uma cena do centro do Recife, que as pessoas mal percebem.  Ou um ambiente “rurbano”,  em Apipucos.

Ela gosta de mostrar o cotidiano dos bairros. As pinturas a pincel não estão à venda, apenas o trabalho digitalizado.  “A ideia do trabalho original não existe nesse caso, porque não é o resultado final, e sim um dos estágios da etapa de produção”, explica. Chega a comparar a própria situação com o produtor de xilogravuras.  “Há pessoas que compram a matriz de madeira, mas a madeira  é apenas uma etapa do processo. A xilogravura, sim, é o trabalho final”. Clarissa, nesse final de semana, expõe não só os seus trabalhos como o de vários artistas, nos dias 6, 7 e 8. Vale a pena conferir os seus trabalhos. E os dos outros artistas que participam do evento. Clarissa é quem, é gente.

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