Assaltos chegam a 10 mil por mês em PE

Até que a gente está vendo uns punhadinhos a mais de militares nas ruas, fazendo policiamento preventivo. Por onde ando, tenho observado duplas ou trios de PMs, com bonezinhos cor de laranja, daqueles que eles usam em grandes eventos, como nos festejos juninos e carnavalescos, e já carinhosamente apelidados de laranjinhas pela população. No último final de semana, parques como o de Santana e Macaxeira – ambos na Zona Norte – estavam bem policiados. Também a Praça de Casa Forte,  durante a semana, de onde os PMs tinham sumido. Agora a gente vê PMs circulando na Praça, onde alunos de colégios próximos haviam se tornado alvo fácil de assaltantes, a qualquer hora do dia. O Governo de Pernambuco tem mais é que botar a PM na rua mesmo, para prevenir. Vejam só os números: em julho deste ano, foram 10.064 crimes violentos contra o patrimônio (roubo, assalto) aqui no Estado. Este ano, 2996 ônibus já foram assaltados no Estado, de acordo com levantamento do repórter policial Eliel Alves, que faz levantamento diário sobre o assunto.

E até o final daquele mês,  Pernambuco já acumulava oficialmente nada menos de 3.322 homicídios, incluindo-se aí os latrocínios. Extraoficialmente já são mais de 4 mil, em 2017. Hoje as pessoas mudam de programa, com medo da violência. Deixam de ir ao cinema à noite. Escondem o celular na cueca, na calcinha, no sutiã. Em setembro, o Governador Paulo Câmara (PM) anunciou que 1.500 homens e mulheres recém formados foram lançados nas ruas. Ontem, enquanto passava na Avenida Agamenon Magalhães, vi uma dessas novas duplas revistando as pessoas suspeitas. Também presenciei a prática na Avenida Rosa e Silva, embora eu não saiba os critérios que são adotados para se desconfiar de um cidadão. O dos Aflitos tinha sentido. Eram dois rapazes em uma cinquentinha sem placa. Mas o outro, não sei como se sentiu, ao ter os bolsos revirados. No domingo, vi outra dupla de PMs revistando um “suspeito” na Ponte Maurício de Nassau, no Centro. Depois de revistado, o rapaz foi liberado. Em Boa Viagem, onde estive na manhã do domingo, presenciei a mesma prática.

Nos bairros do centro e da periferia, até o comércio funciona atrás das grades, temendo ação de assaltantes.

Suspeitos ou não, o fato é que a violência em Pernambuco obriga as autoridades de segurança a apelarem para expedientes como esses, que podem parecer constrangedores aos cidadãos de bem. Infelizmente, é o jeito.  Afinal, você não sente segurança no ônibus, na rua, nem mesmo no interior do seu automóvel. Nem em casa. Porque os marginais lhe abordam nos portões de condomínios e entram na marra com a vítima em suas residências. Neste fim de semana, um engenheiro que comandava um grupo de trabalhadores na BR-101 Norte foi assaltado. Os marginais apareceram, do nada, supostamente procurando emprego. Depois, anunciaram o que queriam. No último dia 29, o Governador Paulo Câmara, deu “mais uma demonstração do compromisso” (palavras utilizadas nas versões oficiais da notícia) com a melhoria da nossa segurança.

Ele participou de cerimônia de apresentação oficial dos 1.322 homens e mulheres que vão iniciar,  já na próxima segunda, o Curso de Formação e Aperfeiçoamento de Praças da Polícia Militar. “A expectativa é de que esse novo reforço chegue às ruas nos primeiros meses do próximo ano, ampliando o policiamento e auxiliando no combate à criminalidade em todo o Estado”, segundo o Palácio do Campo das Princesas. Câmara diz que, com a nova turma, o Estado terá condições de “dar respostas muito mais satisfatórias” à questão da violência que assusta todos nós. O problema é que o combate à criminalidade é urgente.  Para ontem. E o novo contingente de PMs só chega em janeiro às ruas. Segundo o governo, o reforço policial fardado soma  11 mil desde o início do Pacto Pela Vida (em 2007).  Destes, 2.800 começaram a atuar a partir de janeiro de 2017.

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Texto: Letícia Lins  #OxeRecife
Fotos:  Letícia Lins  e  Gilberto Prazeres / Divulgação

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