Recife Antigo merece respeito

No final de semana, estive no Centro, no bairro do Recife, e que os órgãos de turismo insistem em chamar de Recife Antigo. Era dia de Recife Antigo do Coração, evento promovido pela Prefeitura, para movimentar aquele tão bonito pedaço de nossa cidade. Andei pelas ruas do Bom Jesus, Apolo, Guia. Passei nas avenidas Rio Branco e Alfredo Lisboa. Também fui ao movimentado Marco Zero e ao Centro de Artesanato de Pernambuco. Confesso que não fiquei muito satisfeita com o que vi.

Primeiro, a Feirinha da Rua do Bom Jesus estava às moscas. Quase ninguém comprando alguma coisa nas barracas, justamente após as 16h, horário em que, em passado recente, você mal conseguia transitar, de tanta gente que ficava ali. Também achei meio fora de propósito algumas “atrações” do Recife Antigo do Coração, como jogos no asfalto. A bola utilizada é pesada, e pode machucar um pedestre. Eu por exemplo, estava em uma calçada caminhando e vi, a poucos metros da minha frente, uma senhora de livrar de uma bolada no rosto por questão de centímetros. E havia quatro gatos pingados jogando, nas duas quadras improvisadas pela Prefeitura, perto do Marco Zero. Sinceramente, para que impor esse risco? Lugar de jogar é em quadra. E a Rua da Aurora está cheia delas, ali bem pertinho.

O Marco Zero é um dos locais mais frequentados no Recife Antigo, mas bairro precisa que se discipline uso de calçadas.

O Marco Zero também merece um parágrafo. Depois de urbanizado, a área ganhou amplitude, abriu mais a paisagem. Muito bonito, contemplar o marzão. Mas os bancos de praça, colocados ao lado do Centro de Artesanato são insuficientes para a demanda. São confortáveis, possuem modelo clássico, e oferecem oportunidade de momentos contemplativos para quem senta de frente para o mar. Já os que ficam perto dos bares que funcionam em antigos armazéns do Porto, foram colocados de forma perpendicular ao cais. Sentei em alguns deles, sem condição de olhar de frente o mar. No último, passei poucos minutos, porque tinha uma galera se drogando, e nesses dias de violência, é melhor não se arriscar, já que a turma não me pareceu muito tão amistosa quanto eu desejaria que fosse.

Fui então para a Avenida Lisboa onde, em um palco armado, cantores se revezavam, em meio a um barulho ensurdecedor, daqueles que a gente ouve nos shows de carnaval. Só que quem assistia não era uma multidão tão grande, que precisasse de volume tão infernal. E o que é pior, logo ao lado, vizinho mesmo, um grupo de apresentava no asfalto, também com som, em uma mistura bem desagradável, que terminou nos levando – eu e uns amigos – a nos afastarmos do local. Fui à Rua da Moeda que, infelizmente, começa a padecer do mesmo mal que tornou a Rua do Bom Jesus insuportável, afugentando o público dos seus bons tempos: barulho em excesso, com apresentações ao vivo, nas calçadas. Se um bar colocar som alto na calçada já é ruim, imaginem três ao mesmo tempo. Aí, não tem quem suporte. Fui para o Paço Alfândega, ver a exposição de bonsais e tomar café, enfim, em paz, sem “ferir” os meus ouvidos nem correr o risco de levar uma bolada no rosto ou no corpo.

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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