Câmara abre microfone para o povo

Iniciativa muito válida a da Câmara Municipal do Recife, de levar as reuniões ordinárias da Casa para a rua. O objetivo é contemplar as seis regiões político administrativas da capital, que respondem por cerca de cem bairros da cidade. É interessante que os vereadores se aproximem da população, em um momento em que a credibilidade da categoria política anda em baixa. E também porque a população se sente órfã em períodos não eleitorais. Eu que ando muito e por vários bairros e que converso com muita gente, já estou cansada de ouvir esse discurso: “Político só se lembra da gente em época de eleição”. E isso não deixa de ser verdade, na maioria dos casos.

O Projeto Câmara nos Bairros foi é uma iniciativa da Comissão Executiva da Câmara do Recife,  já aprovado em plenário.  “Este é um desejo antigo desta Casa e que vem ao encontro dos anseios da população. É uma maneira de chegar mais perto do cidadão. Além de todo ritual da reunião ordinária, vamos abrir os microfones para as reivindicações da comunidade”, afirma o Presidente da Câmara, Eduardo Marques (PSB). E isso também é muito bom. Porque nas reuniões ordinárias da Câmara, o microfone é dos vereadores e não do povo. No caso do “Câmara nos Bairros”, quem quiser vai poder falar, reclamar, solicitar iniciativas em defesa da comunidade.

Anotem aí. O início do Projeto Câmara nos Bairros será no próximo  dia 26,  às 15h, no Sesc de Santo Amaro. Eu acho que quem puder, mesmo não sendo de Santo Amaro, deve comparecer a essa reunião. Porque vai observando como acontece, o que se discute, os encaminhamentos e, ao mesmo tempo, prepara os argumentos para quando o Câmara nos Bairros chegar ao seu. Eu vou estar lá para ver o que é que rende. Como se comporta a população e verificar se a iniciativa não  se transforma em mais um caso de mise en scène,  que a gente se acostumou a ver entre políticos, onde o que não falta é demagogia. Esperamos, no entanto, que dê bons resultados.

A RPA 1, onde fica Santo Amaro concentra bairros carentes (como Coelhos e Joana Bezerra) e também outros, mais sofisticados (como Ilha do Leite e Paissandu). A RPA 1 é formada, ainda, por Recife, Santo Amaro, Boa Vista, Cabanga, Santo Antônio, São José e Soledade. Como ocorre em todo o Recife, as disparidades sociais nessa região são gritantes. Nos Coelhos, o rendimento familiar mensal médio não ultrapassa a R$ 898,41 e a taxa de alfabetizados acima de dez anos é de 87 por cento. Já na Ilha do Leite, o rendimento familiar médio é de R$ 3.024 e 96,8 por cento dos moradores sabem ler. Nos Coelhos, com o amontoado de casebres, a densidade populacional chega 178 pessoas por hectare, quantidade que cai para 32,21 na Ilha do Leite, mesmo com a verticalização do bairro. Os números são da Prefeitura, pacientemente pescados pelo #OxeRecife em  sites oficiais.

Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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