População acusa “arboricídio” no Recife

A questão da mutilação de nossas árvores está inquietando a população e todos aqueles que têm consciência da importância da arborização para manutenção de uma temperatura agradável no nosso tão quente Recife.  Porque o descalabro é cada dia maior na cidade. Na semana passada, acusei aqui os “assassinatos” de mais três, no bairro das Graças. Mais precisamente, na Avenida Rui Barbosa.

A matança deixou indignado o servidor público Benedito Nunes Pereira Filho. Ele mora em Casa Forte.  Diariamente caminha até a Avenida Agamenon Magalhães, onde trabalha. Além das calçadas quebradas, ele registra a destruição das árvores por onde passa. “Letícia, arrancaram diversas árvores  na Rui Barbosa. A foto em que aparece o resto do tronco é do outro lado do Cedire. As outras duas, em frente ao Damas”, acusa. Na verdade, eu já havia feito o registro aqui no #OxeRecife, através do post Parem de derrubar árvores (42), no último dia 17.

Em uma das fotos que ele enviou, o “sangue derramado” espalha-se pelo chão na forma de pó de serra. E isso dói no coração. Pelas redes sociais ou mesmo via #OxeRecife me chegam desabafos da população. “Pois é, estão acabando com as árvores do Recife”, reclama Carmem Lúcia de Freitas Rodrigues. “O povo dessa cidade se acostumou com o concreto e passou a se incomodar com as árvores”, diz Rafael Matos. “Essa inversão de valores é bastante doentia”, conclui. “Sanha assassina”, define a economista e poetisa Anita Dubeux. “Deve haver algum usufruto”, completa, referindo-se ao arboricídio, praticado pela motosserra insana.

Outro que mostra indignação é Maurício Falcão. “A culpa vai ser sempre da árvore”, ironiza. E depois acrescenta: “Esquecem que o homem invadiu o espaço que para mim tinha que ser de dois metros no mínimo em volta da árvore”,  Refere-se aos canteiros insuficientes para que as raízes cresçam livremente. Normalmente não obedecem a nenhum padrão. Há alguns até razoáveis, como os do Clube AABB, na Avenida Malaquias. Mas ali bem pertinho, na Rua do Futuro, nas Graças, há calçadas onde o cimento encosta nos troncos, o que termina provocando desníveis nas placas de concreto, o que – muitas vezes – motiva a erradicação. Parece que está tudo errado nesse quesito. #Parem de derrubar árvores.

Leia também:
Parem de derrubar árvores
Parem de derrubar árvores (42)
Parem de derrubar árvores (43)

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Benedito Nunes Pereira Filho / Cortesia

Compartilhe

Deixar uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *