Pedreiro salva capivara empurrando carro de mão por oito quilômetros

Elas deram nome ao nosso Capibaribe, que significa Rio das Capivaras. Ainda aparecem, em pequenos grupos em bairros ribeirinhos, como Apipucos, Poço da Panela, Ilha do Leite. Dia desses, uma foi vista andando em calçada, no bairro da Jaqueira. Pois uma jovem capivara (Hydrochoerus hydrochaeris) apareceu no bairro de Roda de Fogo, na Zona Oeste do Recife. Quase que era assassinada.

E estava sendo maltratada pela população, por gente desalmada, sem noção. Pois foi aí que apareceu uma pessoa boa, o pedreiro José Francisco da Silva, 36. Ele resgatou o animal, já ferido, e levou para casa, pensando em lhe dar destino melhor na tarde de terça-feira. Na quarta, andou oito quilômetros empurrando um carro de mão pela BR 232 com a capivara, tentando lhe dar um destino que garantisse a sobrevivência do bichinho.

José Francisco da Silva andou oito quilômetros com carro de mão, para salvar uma capivara e teve ajuda de dois inspetores.

Foi  até o Jardim Botânico do Recife, pensando que o roedor seria salvo ali, onde soube que teria que levar o animal até a Agência Estadual do Meio Ambiente (Cprh).  Foi aí  quecontou com a ajuda de dois inspetores  da Guarda Ambiental do Recife, Júlio Melo e Felipe Cássio.  Francisco ficou chocado com a ação de moradores do seu bairro, que queriam matar o animal silvestre. “Jogavam pedras e pedaços de pau na capivara e até a machucaram”,  reclamou.  Conforme seu relato, alguns diziam que “iriam matá-la para comer com cachaça”.

Achou que tinha que agir. “Aquilo não era certo. Fiz o que tinha que fazer, tomei a atitude de salvar o bicho e levá-lo a quem pode cuidar dele da melhor forma”, afirmou, ao entregar a capivara no final da tarde desta quarta à Cprh. Para tanto, Francisco pediu o carro de mão emprestado ao patrão. A capivara (ainda não se sabe se macho ou fêmea) seguirá amanhã para o Centro de Animais Silvestres de Pernambuco (Cetas Tangara), da CPRH, onde passará por avaliação e por um período de reabilitação, antes de ser devolvida à natureza. “Estou feliz por estar aqui e saber que ela será bem tratada”, encerrou José Francisco, que foi muito elogiado pela sua iniciativa. José Francisco é quem, é gente.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Cprh / Divulgação

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