Pau-de-jangada sobrevive na marra

Veja como a natureza é generosa. Recentemente mostramos aqui a devastação impiedosa na Mata do Janga, na cidade de Paulista, na Região Metropolitana. A destruição, autorizada pela Prefeitura do município, foi impiedosa. Acabou, inclusive com preciosos exemplares de pau-de-jangada, uma árvore ameaçada de extinção e que durante séculos foi utilizada pela pesca artesanal para construção de suas embarcações. Pois em pleno chão arrasado, os filhotes daquela espécie começam a brotar, como vocês observam aí na foto em que apareço ao lado de um pau-de-jangada bebê.

Foi o que  testemunhamos – eu e meu amigo Fernando Batista – ao visitarmos as matas destruídas em Paulista, entre elas a do Janga, a do Frio e a do Engenho Maranguape. Segundo os moradores da área, a destruição da Mata do Janga foi tão violenta, que os animais  silvestres – cobras, guaxinins, timbus entre outros – passaram a invadir as casas, em busca de abrigo. No local, há placas indicando a construção de um condomínio residencial, o Bosque do Janga  (que de bosque só tem o nome).

Olhem só a situação da Mata do Janga, devastada para construção de condomínio. Obra está embargada pela Cprh.

Pois o projeto está embargado pela Agência Estadual do Meio Ambiente (Cprh). O empreendedor, segundo a Cprh, apresentou um projeto de compensação pela supressão da Mata Atlântica, que se encontra em análise. Somente após a assinatura de um termo de compromisso, a obra poderá ser realizada. Mas é difícil recuperar o estrago.

“O empreendedor deu entrada no processo de regularização do empreendimento que se encontra em análise na Ugaus (Unidade de Gestão Ambiental de Uso do Solo)”, informa a Cprh. A Prefeitura não deu nenhuma informação sobre a autorização para a supressão da mata ao #OxeRecife. “Todo fragmento de Mata Atlântica é de extrema importância, já que o bioma  foi muito afetado no Grande Recife, devido à pressão da expansão urbana”, diz Walber Santana, Diretor de Recursos Florestais e Biodiversidade da Cprh.

Ele informa que a lei prevê autonomia ao município, para autorizar supressão de vegetação nativa. Mas ressalta que, em se tratando de Mata Atlântica, “mesmo sendo o município o responsável pelo licenciamento, há particularidades na lei em que essa responsabilidade passa a ser do Estado, até porque este é um bioma bastante sofrido”. Esperamos que as matas saiam ganhando nessa briga. Moradores de Paulista informam que a devastação está transformando áreas antes verdes em verdadeiros areais. “Parecem desertos”, afirma o antropólogo Fernando Batista, morador de Paulista há mais de duas décadas e que me acompanhou pela visita ao verde devastado.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Fernando Batista (Cortesia) 

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