O homem que fundou e mantém museu

O pernambucano Bertrando Bernardino é uma pessoa versátil. Ele é engenheiro mecânico e passa a semana viajando, para prestar atendimento a indústrias localizadas no Estado. Mas nem tudo é engenharia em sua vida. Também gosta das letras. E tem livros publicados, diversificando os temas. Possui desde obras técnicas de sua área – como Princípios de Mecânica e Lubrificação Industrial – até aqueles em defesa da natureza, como Viagem aos Corais, Bacia Hidrográfica do Rio Una – Da Nascente à Foz, Se Ligue na Natureza, Educação Ambiental . Produziu ainda um Minidicionário do Pernambuquês.

O que recolhe da venda dos livros, no entanto, não vai para o seu caixa pessoal. E´que aplica tudo naquele que considera um dos xodós de sua vida: o Museu do Una, que ele fundou em 2000, com recursos próprios e que mantém até hoje. O Museu fica no Distrito de Várzea do Una, em São José da Coroa Grande, município localizado a 123 quilômetros do Recife. O Museu do Una já recebeu mais de 35 mil visitantes. Foi um dos imóveis prejudicadas com a enchente que atingiu este ano a Zona da Mata e o Litoral Sul. Fechou para manutenção e reabre neste final de semana, novo em folha.

Bertrando fundou e mantém o Museu de Várzea do Una.
O Museu do Una foi fundado e é mantido pelo engenheiro Bertrando Bernardino, veranista em São José da Coroa Grande.

O amor do engenheiro com Várzea do Una é antigo. Ele mora no Recife,  mas é natural de Caruaru.  E como boa parte dos moradores do Agreste,  veraneia em São José, praia que frequenta há mais de 40 anos. Já fundou ali uma escola (a Gisa), hoje encampada pela Prefeitura e funcionando normalmente. Já o Museu só faz crescer. Ele está em um terreno de 600 metros quadrados, dos quais 250 metros quadrados são de área construída, dividida em setores que passam pela História, Biodiversidade, Cultura, Terra (Antropologia,Geologia, Ecologia, Palenteologia), Tecnologia.  Há recepção, biblioteca e agora uma área verde de 2.100 metros quadrados, que é o Parque do Museu, onde ele plantou 120 espécies de árvores nativas. Mas plantou, também, três baobás, a árvore sagrada, vinda da África. “Baobá é baobá, tem que abrir exceção para essa planta”, diz.

Bertrando tem dois  prédios alugados em São José da Coroa Grande, cuja renda também reverte para o Museu. A dedicação dele à instituição chama a atenção. Certa vez, defrontou-se com uma locomotiva a vapor francesa de 1926, que estava para ser desmontada pela Prefeitura. Seria vendida como ferro velho, por dez centavos cada quilo. Isso foi em 2004. Ele conseguiu que ela fosse doada ao Museu. Contratou a pessoa que estava transformando a máquina em sucata, para restaurá-la. “Nós desmontamos a locomotiva em 62 pedaços. Depois juntamos tudo, e hoje ela está aí, nos jardins do Museu do Una”, comemora. A locomotiva pertenceu à Usina Central de Barreiros, muito poderosa no início do século passado, e que faz parte da História da Mata Sul. No Museu do Una tem também um mirante, de doze metros de altura, do qual se observa a paisagem rica de Várzea do Una, formada por ecossistemas costeiros como estuário, manguezais, apicuns, ilhotas fluviais, restingas e recifes de corais. Cidadania é isso aí. Bertrando é quem, é gente.

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Letícia Lins e Divulgação (Museu do Una)

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2 comentários

  1. Parabéns pelo seu exemplo de cidadania, certamente um mundo melhor para todos, Deus te ilumine e que seus projetos sejam abençoados. Seja feliz, hoje e sempre.

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