Parem de derrubar árvores (32)

Primeiro foi Ana Nogueira. Minha amiga telefonou, aflita, no final da tarde do domingo, dizendo que estava ouvindo barulho de motosserra,  e que deviam estar matando árvores no Espinheiro, onde ela reside. Não pude checar, pois me encontrava do outro lado da cidade e só chegaria à noite. Depois, foram as redes sociais. Internautas reclamam que três oitizeiros adultos e lindos, foram assassinados no final de semana.

Estive no local da denúncia hoje, mais precisamente na Conselheiro Portela, no Espinheiro, onde Ana mora. E vi os troncos no chão. O único que resta de pé levava, agora à tarde, os últimos golpes de misericórdia. Tinha até uma marca assassina.  Só deu os restos mortais de duas árvores. Não sei se houve uma terceira vítima, como dizem. Mas as duas foram computadas na estatística de “óbitos” do #OxeRecife 2017.  Os restos mortais das  vítimas estão em frente ao número 539, onde duas caçambas prontas aguardam a hora de realizar o funeral. Fiquei muito triste com o que vi, uma cena cada dia mais comum na nossa cidade. Derruba-se árvores seculares por qualquer motivo.

Cena triste, no bairro do Espinheiro e cada vez mais comum no Recife.
Cena triste, cada vez mais comum no Recife, onde se derruba árvore todos os dias,  como a coisa mais normal do mundo

Dia desses, o Tribunal Regional do Trabalho assassinou dez, de uma vez só., ironicamente no Dia Mundial do Meio Ambiente.  Em nota ao #OxeRecife, a instituição alegou que as plantas precisaram ser sacrificadas por conta de uma reforma que estava sendo feita no local, para melhorar a mobilidade. E que as árvores representavam riscos para a população, ou mesmo para os juízes. Fiquei indagando: As dez? É muito risco para pouca árvore.

As duas que foram barbaramente trucidadas no final de semana ficam na calçada de uma obra em construção, em uma rua das mais arborizadas do Recife. Fico pensando como se sacrifica uma árvore por tão pouco. Mas os exemplos bons também existem. No último domingo, almoçava no Faminto´s Self Service, em Casa Forte, quando observei recortes na coberta do restaurante para preservar troncos e galhos de duas frondosas mangueiras. Ação cada vez mais rara nesse nosso Recife tão predatório e cada vez mais carente de verde. A ação do último domingo foi praticada pela Empresa de Limpeza e Manutenção do Recife (Emlurb), a quem caberia cuidar das árvores do Recife e não matá-las por muito pouco. O que só se vê é sempre a ação de erradicar. #ParemDeDerrubarÁrvores. Por favor. A população agradece.

Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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