Jardim do Baobá está detonado

Já que hoje é o Dia do Baobá, o maior colosso vegetal do mundo, fui lá no Jardim do Baobá, onde fica um exemplar da espécie que, durante muitos anos viveu “clandestino”, no fundo de um quintal entre as ruas Madre Loyola e Antônio Celso Uchoa Cavalcanti. A árvore centenária chegou até a ter sua morte decretada, nos anos 1970. Felizmente, sobreviveu. Antes mesmo de ser conhecida, eu costumava passar lá, enfrentando o matagal, para dar o meu abraço na árvore sagrada, irmã, mãe, divina para muitos.

O Jardim do Baobá tem valor simbólico muito forte. Isso porque representa o primeiro passo do Parque Capibaribe, projeto que pretende transformar a fisionomia do Recife, tornando-a uma cidade mais humana, mais gregária, com mais convivência entre os seus moradores. E isso é muito bom. Mas não gostei muito do que vi. A impressão que tive foi que o Jardim do Baobá não está recebendo o cuidado que merece. Tinha sujeira no chão, as plantas que ficam em um canteiro lateral, junto ao muro de um restaurante, estão mal cuidadas. E há uma imensa caixa d´água bem pertinho do pé da árvore.

Jardim do Baobá  passa por reparos, mas não  precisava estar com caminhos tão detonados.
Jardim do Baobá passa por reparos, mas não precisava estar com caminhos tão detonados.

As placas avisam que “O Jardim do Baobá vai ficar melhor.  A obra passa e ficam os benefícios”. Tá legal, cuidar é sempre bom. Mas precisa arrebentar o que está feito? Porque ao invés de se colocar plantas nos canteiros, deixa-se tudo cheio de lixo? Bastaria um pouco mais de amor e dedicação do poder público, e o Jardim não ficaria assim, tão detonado. O fato de estar em obras não significa que deva ficar abandonado. A rua que dá acesso ao Jardim, a Madre Loyola está com pedras soltas, embora a colocação seja recente. Por ela transitando, da esquina da Avenida Rui Barbosa, à altura da Ponte D´Uchoa, até o Jardim do Baobá, passa-se por um caminho onde há onze jardineiras, sem uma árvores sequer plantada. Os canteiros foram feitos para que o caminho até a margem do Rio Capibaribe não nos parecesse tão inóspito.

Se é para ir a um parque, praça ou jardim, é bom que a pessoa vá caindo no clima. Até chegar lá.  Hoje os canteiros estavam cheios de folhas secas e lama, muita lama. Bem que poderiam receber palmeiras ou árvores que, quando adultas, dessem sombra. Mas aqui no Recife, infelizmente, essa parte verde não tem a atenção que merece. É só dar uma volta pela cidade, e ver os tocos das árvores que vêm sendo derrubadas em massa. Pelo menos, o baobá, com sua imponência e resistência – a árvore pode viver mais de 3 mil anos – está lá, firme, chamando atenção para o Jardim que, apesar dos percalços, transformou-se em ponto de convivência não só para moradores do bairro das Graças, como de toda cidade. Mas bem que o Jardim do Baobá poderia estar muito mais bonito.  A árvore e o lugar merecem. #OxeRecife #ParemDeDerrubarÁrvores #baobá

Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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2 comentários

  1. Falta explicar que os moradores e pessoas que trabalham no local jogam os carros desde o início em cima das mudas que ficavam ali, já peguei carros estacionados atrás dos balanços em caminhadas matinais e dos vasos destruídos pra dar espaço aos carros. Parece até que existe uma espécie de “arrumadinho” de quem mora ali e dos estabelecimentos pra acabar com o Jardim, não é de hoje, mas desde a época que foi anunciado que o local iria dar espaço ao Jardim e de toda uma briga sobre a invasão do Papa-Capim que quase detonou o Baobá…

    1. Boa informação. Vamos ver se os órgãos públicos fiscalizam. Já tinha visto isso antes, mas pensei que tinha acabado depois que botaram os jarros grandes. Comportamento deplorável de quem faz isso.

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