Dia do maior colosso vegetal do mundo

Hoje é o Dia do Baobá, a árvore mágica, sagrada, agregadora. Está aí o Jardim do Baobá, que não deixa mentir. A árvore, que passou tanto tempo “clandestina”, no meio de um matagal à margem do Rio Capibaribe, transformou-se em referência para aquele local que virou ponto de convivência. São famílias inteiras, crianças, namorados que acorrem ao espaço como bucólica opção de lazer no Recife. Passe lá em um sábado ou domingo de sol, e veja como é grande a demanda. Em dezembro do ano passado, houve empresas que escolheram a área para as festas de fim de ano e confraternização dos seus empregados.

Mexer com um baobá, é mexer com a vida, com a alma das pessoas. Tente derrubar um, seja para abrir uma avenida ou para mudar a calha de um rio, e a confusão está formada.  Foi assim, em 1975, quando iam derrubar aquela  árvore (do hoje  Jardim) para modificar a calha do Capibaribe durante a construção de obras para contenção de enchentes. Coube a Napoleão Barroso Braga (já falecido) liderar uma campanha contra a destruição do colosso vegetal. A grita foi geral. A obra foi revista e o baobá, preservado. Graças a Deus. Hoje todos conhecem a planta no Jardim do Baobá, nas proximidades da chamada Ponte D´Uchoa, que antes vivia praticamente escondida da população, quase em um fundo de quintal.

 

Segundo o Professor John Rashford, da Universidade de Charleston, "o Recife á cidade dos baobás".

Em Pernambuco, é grande a presença da árvore de origem africana. Antropólogo com especialidade em Etnobotânica e um dos maiores especialistas em baobá, o professor John Rashford afirma que nosso estado “é o coração da espécie no Brasil” e que “O Recife é a cidade dos baobás”. Rashford ensina no Departamento de Sociologia e Antropologia da Universidade de Charleston, e já esteve várias vezes no Brasil, para conhecer os nossos baobás. A última vinda à nossa capital foi em junho de 2015.

Há poemas, livros, cordéis, sobre o baobá. Para crianças e adolescentes,  citaria aqui A Semente que veio da África, de Heloísa Pires Lima. Também  o Bê-a-Bá do Baobá, livro infantil de Ernando Alves de Carvalho, originalmente um folheto de cordel. O poeta João Cabral de Melo Neto dedicou um poema à árvore. “Destes nenhum pensou (se o viu) / Que na África ele é cemitério: / Se no tronco desse  baobá / Enterrasse os poetas de perto”. Na África, há baobás servindo de bar, de moradia, e também de cemitério para os griôs, que são os sábios das comunidades. Com tudo que o baobá representa, por ser uma árvore sagrada e que dura até três milênios, eu a vejo, também, como um elemento agregador, estimulador de convivência.

Agrega pessoas no seu entorno. Foi por intermédio dela que conheci Fernando Batista, um dos meus amigos mais queridos. E a corda dos amigos do baobá e dos amigos dos amigos foi crescendo, crescendo. O exemplo mais recente dessa saudável “confraria” é o do mais novo imortal da Academia Pernambucana de Letras. Cícero Belmar é amigo antigo da titular do #OxeRecife. Pois virou amigo do baobá, amigo dos amigos do baobá, e acaba de escrever um conto inspirado na árvore mágica. O conto é lindo, como tudo que ele escreve. Cru, poético e cheio de sentimento. Mas ainda está inédito. A não ser para os amigos de Cícero. E do baobá, claro.

Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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3 comentários

    1. Oi, André. Hoje o nosso #OxeRecife (oxerecife.com.br) vai dedicar todo o dia ao Baobá, essa árvore que é uma mãe para os africanos. Fique ligado que, ao longo do dia, iremos postando informações a respeito. Serão, pelo menos cinco. Eu amo o baobá e todas as pessoas que amam essa árvore. Letícia.

  1. Lele, muito obrigado por citar meu nome nesse belo texto. Recife merece esse blog pelo que há de jornalístico, leve e bem escrito. Um beijo!

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