Calçadas oferecem riscos na Boa Vista

Moradora das proximidades da Praça Chora Menino – e tendo que transitar pelas calçadas da Boa Vista – a economista e poetisa Anita Dubeux reclama da situação das calçadas da Rua Dom Bosco. Elas estão completamente intransitáveis. Ao pedestre, só resta bancar o equilibrista ou andar na rua, arriscando-se no meio ao vai e vem de carros do centro do Recife. A mobilidade está cada dia pior, seja no asfalto ou nas calçadas e quem costuma andar a pé, como eu, percebe o quanto vivemos em um trânsito selvagem, e com calçadas cada vez mais esburacadas.

É a tal coisa, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Não há por onde andar. E esse depoimento mostra bem a situação de pedestres no Recife. “Estou indignada com as calçadas da Rua do Bosco, no bairro da Boa Vista. As pessoas têm que escolher entre serem atropeladas pelos veículos e motos (que passam “raspando” nos pedestres) ou correr o risco de graves acidentes, se preferem as calçadas (como seria o óbvio)”, afirma. Diz que o trecho mais crítico está entre a Avenida Manuel Borba e a Conde da Boa Vista, inclusive o que fica em frente ao um supermercado e que vem a ser a calçada de um quartel da Polícia Militar”.

Esse é um bom exemplo e calçada segura, construída pela  Universidade Federal  Rural de Pernambuco.
Eis um bom exemplo e calçada segura, construída pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (Ufrpe), em Dois Irmãos. 

“Não são poucos os relatos de mulheres e homens de todas as idades que caíram, e tiveram graves sequelas com fraturas de dedos dos pés ou das mãos, deslocamento do joelho, arranhões, óculos partidos”, relata. “Essa semana verificou-se mais uma ocorrência cruel, pois um rapaz fraturou o dedo do pé”, ao cair na calçada. Como ela fica próximo a um supermercado, as pessoas transitam carregadas. “Já vi frutas e verduras espalhando-se pelo chão, depois que clientes da loja sofrem quedas”.  E indaga: “O que é que a Prefeitura está esperando para tomar providências, no sentido de resolver essa situação, que perdura há anos?”. E completa: “Espera que ocorra um acidente de morte?”. Como titular do nosso #OxeRecife,  estive no local, e observei que o problema da calçada é provocado pela expansão de raízes de árvores centenárias, de plantio provavelmente inadequado para aqueles pequenos espaços que lhes foram destinados.

Mesmo Assim, Anita , a exemplo dessa repórter aqui – que faz campanha velada contra a destruição das árvores – não quer que as plantas sejam erradicadas. “Solução tem, sem que as árvores, tão antigas, sejam sacrificadas”, diz. Ela sugere ampliação dos canteiros e restauração de calçadas com pequenas rampas onde o concreto foi levantado pelas raízes. “Com as rampinhas, ninguém cairia e os cadeirantes não sofreriam como sofrem, tendo que andar pelo meio da rua”. Já diz o amigo Francisco Cunha, que as calçadas  são “o primeiro passo para a cidadania em uma cidade”.  Sócio e consultor da TGI, ele foi o idealizador da campanha “Multa Cidadã”,  uma  espécie de  multa moral para quem ocupa indevidamente as nossas calçadas. Está bom de se criar uma outra campanha contra quem não cuida delas.

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos:  Letícia Lins e Anita Dubeux / Cortesia 

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