Ebomi Cici fala sobre os orixás e convivência com Pierre Verger

Esse fim de semana é para reverenciar Vovó Cici. Ela participa de três eventos em Olinda, o que é uma rara oportunidade para conhecermos a Ebomi  (título hierárquico no Candomblé), que é quase uma  lenda. Cici trabalhou com ninguém menos que Pierre Verger (1902-1996), o fotógrafo e franco-brasileiro, que documentou tão bem o Brasil e, principalmente, a Bahia. Ela ajudou o também etnógrafo a legendar nada menos de 11 mil fotografias. E hoje pode-se se dizer que faz parte do patrimônio vivo da Fundação Pierre Verger. Vovó Cici mora na sede da Fundação, no bairro de Engenho Velho das Brotas, que fica em Salvador.  Os encontros da Ebomi com os pernambucanos acontecem até domingo.

Vovó Cici é uma das maiores contadoras de história da cultura afro brasileira. No Espaço Cultural Pierre Verger, na capital da Bahia, ela trabalha com pesquisadores da nossa cultura. E já se apresentou em diversas cidades brasileiras. Também levou sua sabedoria à França, a Cuba e aos Estados Unidos. Nasceu no Rio de Janeiro. Mudou-se para a Bahia onde, ainda muito jovem, trabalhou como cobradora de ônibus. “Pode-se se dizer que ela nasceu no Rio por acaso, pois Vovó Cici é uma baiana legítima. Foi na Bahia que descobriu a pessoa em que se transformou hoje, materialização do próprio axé”, afirma o antropólogo Fernando Batista, que ontem a levou para conhecer os baobás da Praça Adolpho Cirne,  onde fica a Faculdade de Direito do Recife. A espécie, procedente da África, é considerada sagrada entre as religiões de matrizes africanas.

Diz o antropólogo que Vovó Cici é uma das grandes autoridades brasileiras em histórias dos orixás. A longa maratona de Cici já começou ontem, andando pelo Recife e Olinda, onde está hospedada. Visitou Terreiro de Candomblé na Zona Norte da Cidade. O Centro Luiz Freire viabilizou dois encontros com a Ebomi. Um é hoje à noite,a  partir das 19h30. Trata-se de edição especial do Projeto Coisas que Contam nas Olindas, quando teremos oportunidade de ouvir Vovó Cici. Ela tem uma longa trajetória de valorização da oralidade. A entrada é gratuita, mas o auditório só tem 50 lugares.

Amanhã, sábado, entre 10h e meio dia, ela volta ao Centro Luiz Freire, para uma manhã de vivências com o público. Um prato cheio para contadores de histórias, antropólogos, etnógrafos, estudiosos e praticantes de cultura e religião de matrizes africanas. As vagas são limitadas, e o preço por pessoa é R$ 30. O Centro Luiz Freire fica na Rua 27 de Janeiro, 161, Carmo, Olinda. Amanhã à tarde, vai estar no Centro Cultural Bongar, onde fala para músicos, pesquisadores e dançarinos, sobre sua experiência no Terreiro Ilê Axé Opô Aganju, que fica na Bahia. Discorre sobre a ancestralidade, os batuques e histórias. Será às 16h30.  O Centro Cultural Bongar  fica na Rua Ieda, São Benedito, Olinda. O valor a ser pago é R$ 30, mas pessoas que fazem parte terreiros têm desconto. No domingo, a partir das 15h, ela tem um novo encontro com pernambucanos, dessa vez no Recife. Será às 15h, no Paço do Frevo, que fica na Praça do Arsenal. Axé para Cici.

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Fernando Batista / Cortesia

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