Em nome do forró genuíno

Em meio à polêmica quanto à contração de artistas estranhos aos ritmos juninos para animar as festas do Interior de Pernambuco  e Paraíba, a Prefeitura do Recife tomou uma boa iniciativa. É que os homenageados do São João do Recife 2017 são gente que tem a cara da festa: Cristina Amaral e o músico Edmilson do Pífano. Eles souberam hoje da novidade, pelo próprio Prefeito, Geraldo Júlio (PSB).

O socialista disse que a escolha é uma homenagem “do povo do Recife”.  E justificou: “Cristina Amaral representa as mulheres, o forró e a música nordestina. Edmilson do Pífano, representa a cultura popular, que é tão ligada ao nosso São João”.  Prometeu que a segunda maior festa popular do Recife será de resistência. “Vamos fazer um São João valorizando os nossos artistas, a nossa cultura, e dando oportunidades para os recifenses”. E que apesar da crise, o Recife terá um festão.  “Teremos um belíssimo São João no Recife este ano, apesar das dificuldades que o Brasil está passando”. E quem são os homenageados? Vejam que eles têm uma grande folha de serviços prestados à nossa cultura.

Edmilson do Pífano nasceu em Lajedo, no Agreste de Pernambuco. Mora em Caruaru, a 130 quilômetros do Recife. E é um dos maiores tocadores de pífano do Nordeste. Sua intimidade com o instrumento é tanta e tão antiga, que virou sobrenome de família. “Edmílson é do pífano desde que se entende por gente, assim como muitos de seus familiares também foram um dia. O avô, Antônio Félix, era pifeiro requisitado na região. O pai, José Félix, os irmãos, além de muitos outros parentes, também são devotados ao instrumento”, informa a Prefeitura do Recife. Ele tem 50 anos de carreira e mais de 20 discos gravados. Nunca frequentou escola de música. Toca e compõe por intuição. Diz que quando anda de ônibus, vê as músicas “passando na janela”.

Cristina Amaral nasceu em Sertânia, Sertão de Pernambuco. Começou cantando na Igreja Católica, com grupo de jovens. De missa em missa, acabou sendo convidada para cantar na Orquestra Marajoara. Depois passou a dividir o palco com Flávio José, no grupo Os Tropicais. A carreira solo começou em 1990, quando venceu o Festival Recifrevo. Do disco Arisca, lançado um ano depois, veio seu primeiro grande sucesso: a música Eu Sou o Forró, que celebrizou a cantora como intérprete do gênero. Além de uma dezena de CDs que consagraram sua carreira, gravou também os CDs Recifrevoé I e II e Forró Brasil, com artistas como Chico Buarque, Lenine, Gilberto Gil e Dominguinhos.  Já excursionou pela Holanda, Áustria, Suíça, Portugal e França, representando Pernambuco.  Só do Festival de Montreux, participou duas vezes.  “Embora se defina como uma artista eclética, seu nome é sinônimo de forró no dicionário da música brasileira”, informa a Prefeitura.

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Andréa Rego Barros/ Divulgação / PCR

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