Direito, memória, Pau-Brasil e violino

A graciosa Praça Adolpho Cirne vai ficar mais verde. Uma muda de Pau-Brasil foi plantada hoje de manhã nos seus jardins, em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, que transcorreu nesta semana. A iniciativa é de alunos, professores e servidores que integram o Projeto Memória Acadêmica da Faculdade de Direito do Recife , que fica naquele logradouro.

A Praça possui plantas nativas e exóticas, entre baobás, sibipirunas, várias espécies de palmeiras, cajueiros e oito pés de pau-brasil, incluindo a muda plantada nessa quarta-feira.  A cerimônia de plantio do pau-brasil foi comandada por Zenaide Nunes Magalhães, Gerente do Jardim Botânico do Recife, que cedeu a muda, e explicou os cuidados que devem ser tomados, para que a planta cresça, o que pode não ser dificuldade.

Afinal, é no Nordeste onde o pau-brasil mais encontra meios propícios para se desenvolver. Segundo explicou Zenaide, a área onde a planta cresce de forma mais densa fica entre Pernambuco e Rio Grande do Norte. Como vocês sabem, se o pau-brasil despertou a cobiça dos europeus no Brasil colônia devido ao corante extraído do seu tronco, hoje sua madeira é considerada a melhor para fabricação de arcos de violino.

E tanto é assim, que a Associação de Plantas do Nordeste foi procurada pela Associação Internacional de Arqueiros de Violinos para a implantação de um projeto de manejo dessa árvore, a fim de garantir matéria prima para a fabricação de arcos, sem risco de atrapalhar o crescimento e a preservação. O Pau-Brasil chegou a ser considerado extinto no País. E sua sobrevivência deve-se à dedicação do Professor Roldão de Siqueira Fontes, que disseminou mudas da árvore por todo o Brasil, no século passado. Ele vivia para a árvore, e chegou a implantar bosques da espécie.

Segundo o Coordenador do Memória Acadêmica da FDR, Humberto João Carneiro Filho, o Projeto tem por objetivo resgatar a história da Faculdade, já que “há uma lacuna existente nas áreas de pesquisa e preservação”. O Projeto foi iniciado em 2016. E trabalha com dois eixos (preservação e divulgação), para conscientizar a população (e não só o mundo acadêmico) quanto à importância da FDR para o Brasil. A iniciativa do plantio do Pau-Brasil partiu de Fernando Batista, antropólogo e um dos integrantes do Memória Acadêmica da FDR.  Zenaide – que é arquiteta e urbanista – se comprometeu a pesquisar sobre a Praça Adolpho Cirne. “Podemos trabalhar para resgatar o projeto paisagístico original”. Que bom.

Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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