A menina que salvava livros

Quem não se lembra do filme “A Menina que roubava livros?”. Nele, a garota Liezel Meminger consegue sobreviver na Alemanha nazista, através dos livros que roubava, e que – em plena Segunda Guerra – aprende a ler. O amor aos livros da garota emocionou plateias no mundo inteiro. Pois aqui em Pernambuco, temos uma pequena menininha, Rivânia Rogério Ramos da Silva, que enfrentou uma outra guerra: a enchente que atingiu a Zona da Mata de Pernambuco. E entre os bens que ela precisava salvar, Rivânia não relutou: escolheu os livros. Nessa segunda-feira, a menina recebeu uma visita importante: a do Governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB).

O socialista foi até o distrito de Várzea do Uma, em São José da Coroa Grande, a 123 quilômetros do Recife onde ela reside com os avós. Paulo Câmara  fez questão de conhecê-la pessoalmente. E foi na sua casa que anunciou ter antecipado a reestruturação dos acervos literários das escolas atingidas pela cheia da semana passada. Rivânia, que é uma pessoa linda, foi a primeira a ser beneficiada pela ação. Ela recebeu 80 publicações, para ler à vontade. E a sua escola, a Municipal Várzea do Uma, ganhou outros 150 livros. A ação ainda estava sendo planejada. Mas a história de Rivânia emocionou e apressou as autoridades do estado.

O governador assegurou que todas as escolas que tiveram bibliotecas afetadas ganharão kits, para que as crianças não fiquem impedidas do prazer da leitura.  A Secretaria de Educação já deu início ao levantamento dos colégios que precisam de livros. Assustada com a grande repercussão de seu ato, Rivânia trata com naturalidade sua paixão pelos livros. “Minha avó mandou eu pegar rápido as coisas mais importantes, e eu peguei a bolsa com meus cadernos e livros. Eu gosto de ler e quero ser professora quando crescer, e meu futuro está livros”, completou Rivânia. Brava Rivânia. Afinal, como diz Kal Gomes, “os livros são nossa carta de alforria”.Para quem não lembra,  Kal é internacionalmente conhecido como  “traficante de livros”. Ele montou uma biblioteca em uma palafita, na comunidade do Bode, no Pina, Recife. E mudou a vida e má fama do lugar.

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Aloísio Moreira /Divulgação / SEI

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Um comentário

  1. Olá Letícia, há 17 anos fundei o Museu do Una, em Várzea do Una, com tema de cultura e meio ambiente e por onde já passaram mais de 35.000 visitantes. Em anexo está o parque do museu, com cerca de 120 árvores plantadas de 60 diferentes espécies, como sucupira, cedro, jequitibá, peroba, cupiúva, praíba, tamboril e ipês, em meio a trilhas e no centro delas uma capelinha.
    Desde 2000 que não somente venho acompanhando as questões ambientais pertinentes aos ecossistemas costeiros da área ( manguezais, restinga e corais ), como já escrevi um livro sobre impactos ambientais da bacia do Rio Una.
    Vi as enchentes de 2000, 2010 e 2011 e agora de 2017. Tudo estava previsto e depois de muita “peleja” o governo das quatro barragens somente concluiu a de Cerro Azul, em Palmares. Em dezembro de 2015 fiz uma visita a todas elas e estavam paradas e abandonadas, tendo enviado fotos e comentários-denúncias para a Globo e Jornal do Commercio, mas acho que não publicaram.
    Sem as barragens e sem a relocação de famílias que constroem em áreas de expansão dos rios sempre teremos desabrigados e decretações de estados de emergência e calamidade.
    O que Paulo Câmara fez em Várzea do Una foi unicamente política e nada mais. As escolas tem bibliotecas e no museu tem uma biblioteca com mais de 1.000 livros, sendo considerada pelo Ministério da Cultura como um dos 13 pontos de leitura e Pernambuco.
    Essa criança em entrevistei na ultima quarta pela manhã, antes de estar nas mídias sociais e como ela tem várias outras. Mas se o governo nada fizer para conter as enchentes, conforme relatei, todos os livros desta criança serão perdidos e molhados com nova cheia. E Paulo Câmara sabe disso.

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