É uma pena que o nosso "Cão sem plumas" esteja virando um esgoto e um lixão a céu aberto.

Um Brasil de rios sujos

Temos um Brasil de rios sujos (como o Capibaribe). “A coisa mais difícil de encontrar no país é um rio limpo dentro das cidades”.  A constatação é do Professor Carlos Mello Garcias, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Ele esteve no Recife para participar como conferencista, do Nono Encontro Internacional das Águas, promovido pela Unicape.  Para o especialista, os rios poluídos são retratos das “externalidades urbanas”. Mas adianta: “No Brasil, só encontramos externalidades negativas”. E diz que os maiores vilões dos rios urbanos são os sistemas de esgotamento e as redes de drenagem das cidades. “Geralmente muito mal concebidos”. Afirma que os rios não são sujos ou poluídos “só por uma questão social”, mas também devido a sucessivas “incompetências administrativas”.

Lembra que o discurso recorrente – tanto no Recife quanto em Curitiba – é o velho “não fui eu que poluí, mas os outros”. Mas alerta, que tanto na capital do Paraná quanto no Recife, os rios vão continuar sujos se os gestores e a população repetem as mesmas práticas. “Não se tem uma cidade com rios limpos, se os cidadãos não forem limpos”. Diz que o mais importante rio de Curitiba, o Belém  – em cuja bacia está 40 por cento da cidade – é também o mais sujo.“Falta processo decisório, para sua  limpeza”. Cá para nós, a mesma coisa que acontece com o  nosso Capibaribe. E disse que, como o nosso rio , o Belém  é vitima de dejetos de esgotos e também do sistema de drenagem. “Quando a chuva chega leva tudo que é lixo que está na rua para o rio”.

Nono Encontro Internacional das Águas discutiu destino dos nossos rios.
Nono Encontro Internacional das Águas, discutiu destino dos nossos rios na. “Não há argumento para não limpá-los”.

Ele mostrou como é possível revitalizar os rios e citou o clássico exemplo da Coreia do Sul, onde o Rio Cheonggyecheon havia sido sufocado com um elevado e uma via expressa, concluída em 1976, em Seul. Entre 2002 e 2005, a via foi demolida, o rio retomou o seu caminho, recebeu áreas verdes, praças, 22 pontes. O custo da obra ficou em US $ 380 milhões, que valeram a pena. Hoje ele é um patrimônio do país, com imensa área recreativa e o maior parque horizontal urbano do planeta.  No final, os participantes do encontro subscreveram a Carta de Curitiba, reforçando que “não existem argumentos suficientes para se dizer que não se pode limpar os rios urbanos”. No Recife, continuamos sonhando com um rio limpo, e o Parque Capibaribe arborizado, florido, e divertido para pedestres e ciclistas. Enfim, para nós, recifenses. Nós merecemos!

Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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2 comentários

  1. Excelente matéria! Sofro em aqui em Recife, quando ouço os mais velhos falarem de rios pequenos nos bairros antigamente. Hoje passo ao lado deles e são depósitos de lixo e esgoto. Obs: seu site é muito bem feito, parabéns! Continue o trabalho.

    1. Muito obrigada, Webson. Estamos às ordens. O site não tem fins lucrativos, e se preocupa em defender os interesses da nossa comunidade. Estamos abertos a sugestões, colaborações. E espero continuar com com você como mais um dos nossos leitores. Pelo Recife, pelos nossos rios e matas, pelos nossos riachos, tudo. E também pelas nossas calçadas….

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