Parem de derrubar árvores (21)

Eu sei que falar sempre de um mesmo assunto cansa o leitor. Mas a situação é tão grave, que não tenho como calar. Volto a fazer novos registos de árvores assassinadas nas ruas do Recife. Dessa vez, eles foram enviados por leitores que, como eu, estão começando a se inquietar com esse “genocídio” oficial. Esta semana, o servidor público Benedito Nunes Pereira Filho e a designer Gisela Abad me enviaram fotos e relatos desse descaso contra o nosso verde, e que vem transformando o Recife na capital nacional dos toquinhos.

Benedito mora no  Parnamirim e diariamente vai caminhando para o trabalho, na Avenida Agamenon Magalhães. Ele diz que se deparar com árvores mutiladas é “a regra no caminho”. Essa semana ele me encaminhou mais um exemplo que mostra a razão de minhas denúncias aqui no #OxeRecife. A árvore mutilada – tiraram todos os galhos – fica na Estrada do Encanamento, próximo ao Bar Guaiamundo. Perto dali, em Casa Forte, na Rua Irmã Maria David, em apenas uma calçada, dois tocos de árvores recentemente erradicadas.

Autor dessa foto, Benedito diz que árvores mutiladas são a regra no caminho para o trabalho.

Gisela me envia as fotos via Facebook.  Passei lá hoje de manhã para conferir. “Letícia Lins, essa é para você. Lembra da calçada “bonitinha mas ordinária”? Pois na Rua Irmã Maria David, uma árvore caiu e outra foi decapitada”. Ela pensou até em usar a tecnologia da informação para tentar dar um basta nessa história. “Fico a pensar em qual aplicativo poderíamos ir fazendo marcação das árvores recifenses assassinadas e as datas. Era um mapeamento interessante para dialogar com os responsáveis”. A Maria David fica em Casa Forte.

Pela rede social, Christiane Cordeiro desabafa sobre a matança. “Que horror”. Helena Amaral defende o aplicativo. “Quero contribuir”. Lucy Niemeyer classifica a situação de “lástima”. É lástima mesmo. As árvores não têm manutenção, não recebem tratamento quando estão com pragas, e terminam vítimas da presença tardia do poder público, que chega só na hora da motosserra insana. A rua em que resido é um exemplo. O #OxeRecife está computando os “assassinatos” e consequências da “omissão”. E também recebe fotos, denúncias, informações. Como vocês observam, já são 21 “capítulos” dessa matança, só em 2017. Está tudo documentado: com foto, data, endereço.  Alô, alõ Ministério Público, ninguém faz nada não, é?  #ParemDeDerrubarÁrvores #Motosserrainsana #OxeRecife

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Letícia Lins e Benedito Nunes Pereira Filho

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