Entre o brega e o baião

Tem quem diga que ele é um cantor brega. Suas músicas sempre falam da dor de cotovelo, um sentimento que agora ganhou o nome de sofrência. Os mais jovens não devem conhecer esses versos: “Eu tenho dois amores / Quem em nada são iguais / Mas não tenho a certeza/ De qual eu gosto mais”. A canção falava do dilema entre uma loira e uma morena.  E apontava uma solução para o caso. “Meu coração continua/ Sem saber o que fazer / Se é melhor amar as duas / Sem nenhuma perceber”. Os versos fizeram sucesso no século passado, na voz de Fernando Mendes.

Uma de suas músicas Você não me ensinou a lhe esquecer passou de brega (em 1978) a cult (em 2007), depois que foi gravada por Caetano Veloso, como tema do filme Lisbela e o Prisioneiro. Pois Mendes é o único cantor a se apresentar nessa temporada do Festival da Seresta a ganhar homenagem do poder legislativo de Pernambuco.  Aconteceu hoje, no Palácio Joaquim Nabuco. Foi por sugestão do Deputado José Maurício, para assinalar os 45 anos de carreira do cantor. Segundo o deputado, Pernambuco seria uma “segunda casa” para o artista, que tinha relação grande com o Rei do Baião, Luiz Gonzaga.

“A primeira apresentação do artista na TV foi no programa do Aerton Perlingeiro na extinta TV Tupi. Ainda no início da década de 1970, o cantor se apresentou juntamente com o Rei do Baião, Luiz Gonzaga, no consagrado programa de Haroldo de Andrade na Rádio Globo, que lhe abriu portas para outros programas de maior amplitude nacional como o do Chacrinha”, diz o deputado. Mendes confirma. “O programa do Haroldo era muito prestigiado, poucos conseguiam se apresentar nele e tinha um espaço para atrações de última hora. Eu estava um dia nesta fila de ‘apresentações possíveis’, esperando ser chamado para cantar, quando me disseram que eu iria substituir o Luiz Gonzaga, que não ia poder aparecer. Foi aí que, de repente, chegou o Seu Luiz”.

E relata:” Nós nos conhecemos ali mesmo e ele me falou que tinha comprado dois compactos de A desconhecida (o compacto com a música vendeu mais de 400 mil cópias e o LP mais de 60 mil), e disse que acompanhava meu trabalho e que minhas músicas estavam no topo das paradas musicais da época no Recife. Nos apresentamos juntos e surgiu uma amizade que se estendeu, inclusive com a gravação de Baião Collection, conta Mendes. E afirmou: “Essa homenagem desta quinta tem um valor enorme de retribuição também, ao menos para mim, ao Rei do Baião, que foi um grande amigo e um incentivador da minha carreira”.

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Divulgação

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