O Mané-gostoso de Saúba

Poucas pessoas sabem quem é José Antônio da Silva, 65. Mas quase todo mundo conhece Saúba, o artesão que roda o Recife comercializando brinquedos populares como o Mané-gostoso, a borboleta, o rói-rói e ratinhos de papel machê, que se movimentam.  Aos sábados, Saúba é visto na Praça de Casa Forte, na Feirinha de Produtos Orgânicos. Ele sempre aparece para “bater o ponto” no local, onde oferece suas criações, ofício ao qual se dedica desde os 20 anos. Saúba agora se prepara para dar um salto novo na sua vida de artesão: seus produtos vão chegar a dois sofisticados  centros de compras, localizados na Zona Sul.

Depois de comercializar em feiras, peças populares de Saúba chegam a dois shopping-centers (nas lojas Vila 7)
Depois de comercializar em feiras, peças populares de Saúba chegam a dois shopping-centers (nas lojas Vila 7)

A sugestão foi do amigo e cliente, Alexandre Albuquerque, fotógrafo que usa peças de Saúba na decoração de seu apartamento, no bairro de Casa Amarela. “Fiz um gostosódromo com madeira reciclada, e vários amigos me pediram uma peça igual. Isso implica em dizer que os brinquedos de Saúba agradam a crianças e adultos”, diz o fotógrafo. Ele levou as peças de Saúba para a Vila7 e a empresária Juliana Lins topou colocá-las à venda, sem hesitação, nas lojas que tem no Shopping Recife e no RioMar. Ela só fez algumas recomendações, para adequar a qualidade do material ao consumidor mais exigente.

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O gostosódromo que Alexandre Albuquerque montou na própria sala chama atenção dos amigos para as peças de Saúba.

“O brinquedo para a loja do Shopping é um pouco mais sofisticado. Precisa ser bem lixadinho”, diz Saúba. Ele tem peças no Centro de Artesanato de Pernambuco, no Mercado de São José, e na Casa da Cultura. Saúba nasceu no município de Pombos,  a 71 quilômetros do Recife.  E aos oito já trabalhava no corte de cana. Nem sabe ler. Não teve tempo para aprender. Frequentou a escola por apenas alguns meses. “Quando aprendi o a-e-i-o-u, meu pai me tirou, porque naquele tempo todo menino trabalhava cortando cana, para ajudar a família”, diz.  Saúba informa que aprendeu o ofício com uma cigana, que foi embora para São Paulo. Hoje, ele, um irmão, filhos e parte dos netos se dedicam à produção dos brinquedos.

“Um corta, outro pinta, cada um faz uma coisa”. Acaba de acrescentar  personagens novos, aos manés, que eram todos brancos. Agora, há bonecos negros e também do sexo feminino. Saúba usa madeira para confeccionar os brinquedos. A preferida é a embaúba, bem maleável.  “Só tiro alguns galhos para não prejudicar as árvores, pois não quero contribuir para acabar com nosso patrimônio maior, que é a natureza”, diz com sabedoria. Ele afirma que, se secar muito, a madeira, fica difícil de trabalhar, porque ela se torna muito rígida. “Como a madeira não fica logo totalmente seca,os bonecos não podem ser guardados em sacos plásticos, porque mofam facilmente”. Nas lojas dos Shopping-centers eles serão acondicionados em charmosos saquinhos de filó.

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Letícia Lins e Alexandre Albuquerque

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