Na praia, procurando Bituca

Bituca é uma cadelinha “carismática”. Na praia do Patacho, em Porto de Pedras, Alagoas, todo mundo a conhece. Adora a liberdade e a natureza. Seu lugar preferido é a beira-mar. Passa quase o dia todo na areia. Corre atrás dos passarinhos, nada, e abana o rabo para moradores e visitantes da praia por sinal linda, parecendo um paraíso. Bituca é tão comunicativa que, dia desses, um casal de turistas japoneses teve que ir à residência do dono da cachorrinha, o biólogo Iran Normande, para que as crianças se despedissem da cadela. Elas choravam, e não queriam viajar sem ver o animal, depois de vários dias de espontânea convivência com a cadela. Pois Bituca sumiu.

Muita gente se mobilizou em Porto de Pedras, em busca de Bituca.
Muita gente se mobilizou em Porto de Pedras, em busca de Bituca, a cadela que prezava a liberdade e adorava a praia.

Ela ganha as ruas com frequência. Adora a liberdade, mas volta sempre para comer, ver o dono, que está em viagem na Tailândia. Ao saber da travessura, ficou muito aflito. Queria atravessar o oceano, para procurar Bituca. Antecipar o retorno. Mas mãe é mãe. E amiga é amiga. Explico, Fátima Barreto Campelo passou um WhatsApp para o filho e disse: ”Fique tranquilo, faça sua viagem com calma, que vou procurar Bituca”. E me chamou para acompanhá-la na empreitada. Viajamos do Recife a Alagoas, em Porto de Pedras, para procurar Bituca. Imprimimos fotografias, fomos a várias praias, andamos de casa em casa. Colamos o aviso de “desaparecida” em praças, bares, restaurantes, pousadas, armarinhos. Algumas pessoas diziam tê-la visto. Fomos em todas as residências próximas dessas pessoas. Achamos até um xará de Jimmy Cliff. Para os que não lembram, trata-se do maior ídolo do reggae jamaicano, depois de Bob Marley. Rastreamos Patacho, a vizinha Tatuamunha, andamos pela praia. Fomos  até a foz do rio. Falamos com as pessoas. Na cidade, a notícia se espalhou.  Mas… nada de Bituca..

Tínhamos duas hipóteses mais prováveis.  Cativante como era, Bituca poderia ter sido levada para longe, pois se estivesse perto, teria voltado, como sempre ocorre. Também achamos que poderia estar presa, na casa de alguém. “Ela não fica cativa. Uma vez, foi amarrada em um sofá, porque estava operada. Pois mesmo assim, ela arrastou o móvel para ir para a rua”, conta o jardineiro Paulo, que nos acompanhou nas buscas. Paulo diz que ela late muito quando atrás dos muros. Foge de todo jeito. Bituca adora os donos, mas também ama a liberdade. Achamos que, cativa, ela fugiria, chegando em casa nos próximos dias, para fazer a festa de sempre. Também supomos que alguém a acharia, depois de ter a foto tão divulgada, inclusive nas redes sociais.  Iran acompanhava à distância o nosso empenho. Voltamos esperançosas para o Recife, eu e a amiga Fátima. No Cabo de Santo Agostinho, já em Pernambuco, em plena BR-101, o telefone toca.  Paramos para saber a novidade. Acharam Bituca.  Alegria. Depois, profunda tristeza. Bituca não estava viva.  Foi sepultada agora à noite, em Porto de Pedras. Iran pediu que a deixasse junto a Zuma, outro animal de estimação de Iran que, ao contrário da espevitada e “libertária” Bituca, morreu de velha.

Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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