Boa Viagem divina hoje

Boa Viagem estava divina, na manhã desse feriadão. Parecia até um dia de pleno verão, com sol forte e pouca brisa. Fui bem cedo, porque sou como a ciranda, a dança típica do litoral, que acompanha o movimento das ondas do mar. Com a maré baixa marcada para as seis da manhã – 0,8m – saí do meu bairro por volta de sete, sem o desconforto do trânsito da BR-101 e da Avenida Recife. Uma delícia. Em um instante cheguei lá.

Pretendia conferir o trecho amarelo da areia – que foi padronizado pela Prefeitura, em parceria com uma instituição privada (Uninassau)  – mas não deu coragem. Ficou para depois. Porque praia não é só sol, areia, mar, cerveja, coco verde. É oportunidade de conversar sempre com alguém. O que não falta é um amigo, uma amiga, uma pessoa que você nunca viu, para bater papo. As relações, à beira-mar são mais democráticas, espontâneas, sem preconceito. E aí, rola tudo: assuntos pessoais, o melhor filme do dia, política, corrupção, o desabafo da esposa traída.

Levei – como sempre faço – um jornal (de papel) para ler, na cadeirinha sob o guarda-sol. Também levo um livro, que devoro no intervalo de cada mergulho. Pois hoje não deu para ler foi nada. Sempre aparecia uma pessoa para conversar: Renê, Luca, Seu Carlos, Gamal, Marlene. Também encostou o sorveteiro filosófo cujo nome nunca perguntei, mas que tem sempre uma opinião sobre tudo.  o vendedor de cachorro quente que acaba de repintar o seu carrinho para consertar o inglês: cobriu com hot dog, a inscrição anterior rotdog. Levou 50 pães para vender. Ontem tinha abastecido o carrinho com 30, mas não comercializou nem a metade.

Como saí às 10h, porque a maré já começava a encher (o tubarão e a prudência não recomendam ficar na água nessas circunstâncias em Boa Viagem) deixei a praia ainda limpa, sem garrafas pet, cocos verdes, latinhas jogadas ao chão. Alguns trechos, no entanto, tinham sargaço. Lá para as 11h, a areia começa a se sujar por conta de banhistas porcalhões. A Emlurb marcou presença forte hoje, com muitos garis, limpando a faixa de areia. Mas não entendo porque a Prefeitura deixa de fazer o principal: pressionar os ambulantes que continuam jogando seus detritos no chão. É fácil: advertência, multa, cassação do licença. Aí, queria ver… quem tinha coragem de continuar emporcalhando a areia. Muitos deles distribuem cestinhos para os banhistas, mas depois de recolhidos os lixeiros, atiram o que veio dentro na areia. Pode?  E ninguém faz nada. #OxeRecife.

Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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