Em defesa de nossas praças

Se o Iptu já era caro, imaginem agora, com o aumento extorsivo imposto pela Prefeitura aos cidadãos que, como eu, suam para pagar suas obrigações sem que os serviços oferecidos pelo poder público revertam como deveriam. No meu caso, o carnê chegou com um aumento de 21 por cento. A julgar pelo que se arrecada, a cidade deveria estar muito bem cuidada. Mas não é isso que ocorre. É lixo amontoado no meio da rua, calçadas indignas desse nome, praças que estão se transformando em areais.

No último sábado, pela primeira vez, botei o pé na rua, depois de passar uma semana proibida de pisar, devido a uma fratura provocada por uma calçada mal conservada, problema que virou a regra na nossa capital. Quando fui ao Mercado da Madalena, fiquei estarrecida com a situação da Praça Solange Pinto de Carvalho, onde parece que passou um furacão que levou tudo: parte da vegetação, o gramado todo, e alguns equipamentos. Os jarros que decoram o logradouro estão vazios ou com plantas mortas, totalmente secas, marrons mesmo. Uma tristeza. E, sinceramente, isso não é culpa do verão.

A Praça Solange Pinto Melo, onde fica o Marcado da Madalena, está abandonada.
A Praça Solange Pinto Melo, onde fica o Marcado da Madalena, está abandonada, sem grama e com plantas secas e mortas.

O gramado há muito já se foi, como ocorre na maioria das praças do Recife. Sinceramente, não sei onde anda a cabeça de gestores públicos que não cuidam de suas praças, jardins, parques,  árvores.  Uma cidade sem vegetação não pode ser considerada aprazível. Ainda mais agora, quando a população se mobiliza para andar a pé ou de bicicleta, devido ao sufocante trânsito da cidade. Para esses caminhos, são necessárias áreas arborizadas, sombreadas, para trajetos com mais conforto do que aqueles realizados sob o sol a pino.

As nossas praças estão de fazer dó. A do Mercado da Madalena está tomada por mendigos, com trapos espalhados pelos bancos. O lixo é tanto, que lhe dá até aspecto de quintal abandonado. Não devia ser assim. Nossos mercados são pontos tradicionais de encontro e o entorno deveria ser bem cuidado. Paisagista e com atuação em várias gestões na Prefeitura, Janete Freire espanta-se com a situação de nossas áreas verdes. “As praças tinham jardineiros, mas essa categoria parece que sumiu dos quadros da Prefeitura”, diz. Ela também lembra que exigia que áreas como os canteiros laterais do canal que corta a Avenida Magalhães, fossem regados diariamente. Lembro do caminhão pipa, lá parado, com a grama sendo molhada, depois das 19h. Alguém viu um caminhão pipa por aí fazendo esse serviço?

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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