Parem de derrubar árvores (7)

Foi só dar uma saidinha, para não resistir à tentação de contar tocos de árvores pelas ruas, resultantes daquilo que a Prefeitura chama de poda. Como vocês sabem, estou com o pé no gesso. Impedida, portanto de dar minhas caminhadas, daquelas que faço sempre pela cidade, quando dou conta das pendências domésticas: banco, padaria, farmácia, Pilates, frutaria. É quando vou conferindo, também, o dia a dia do Recife. As calçadas (que me provocaram um tombo e uma fratura), as praças mal cuidadas, as árvores mutiladas. Ou “assassinadas”, como prefiro chamar.

Essa árvore, como a que abre esse post, fica na Estrada do Encanamento: motossera insana
Essa árvore, como a que abre o post,  fica na Estrada do Encanamento, e ambas são vítimas da motosserra insana.

No final de semana me dei ao luxo de ir ao Mercado da Madalena, onde costumo comprar queijo, carne de sol, castanha assada artesanalmente, manteiga de boa qualidade. No caminho, fui só contando os tocos. O primeiro, encontrei na Rua  Dr Pedro Correa, no bairro do Monteiro. Na verdade, uma árvore que fora podada tão radicalmente, que o serviço terminou em mutilação. Será que ela sobrevive? Segundo os moradores da rua, o corte não é novo, mas as folhas não brotaram mais.

Depois, vi mais dois casos horrorosos, na Estrada do Encanamento, na Zona Norte do Recife. Quando o motorista de táxi me viu pedir para parar, para fazer a foto das plantas, ele disse para mim. “Moça, isso é só o que se vê no Recife. Em todo canto”. E saiu enumerando os tantos tocos, que vê nas suas doze horas de trabalho rodando nas ruas da Capital. E acrescentou: “Se quiser, mostro um bocado agora mesmo”. Para não encarecer a corrida, voltei para casa, com as fotos dessas três tristes lembranças.

Essa árvore, na Rua Pedro Correia, Apipucos, sofreu tentativa de assassinato.
Essa árvore, na Rua Pedro Correia, Monteiro, sofreu tentativa de “assassinato”: poda radical impede sua sobrevivência.

Realmente, os órgãos públicos precisam se explicar melhor sobre esses “assassinatos”, porque, repito, não conheço nenhuma cidade do mundo nem do País – e olha que, como repórter, viajei por muito canto – onde se observe tantos toquinhos no meio da rua. Desde 2013, segundo a própria Emlurb, foram erradicadas cerca de 5 mil árvores. Para cada uma “erradicada”, duas teriam sido replantadas. Mas quando a gente anda pelo Recife só vê toquinho ou o pó de serra no chão. Muda para substituir que é bom…. nada. Mais uma vez, apelo, da forma que vem fazendo a comunidade. “Parem de derrubar árvores”. OxeRecife, ninguém aguenta mais essa motosserra insana. Alô, alô, Ministério Público, ninguém faz nada contra isso não? #ParemDeDerrubarÁrvores

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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