“Parem de derrubar árvores”

Eu sempre amei as plantas. Desde os tempos de criança. Lembro-me que, na infância, fiz uma “revolução” em casa, para evitar que uma jaqueira fosse derrubada, no nosso quintal. A árvore havia virado símbolo de trabalho para minha mãe, porque eu e minhas irmãs brincávamos aos pés da fruteira, fazendo “cozinhado”, comendo jacas, plantando feijão, que tirávamos da cozinha. E entrávamos em casa sujos e visguentos.  Tão visguentos, que, muitas vezes, era preciso o uso de muito querosene, para que ficássemos limpos.  A árvore, depois de muito protesto, foi preservada.

Lembro-me, também, de um primo, muito querido, Guilherme. Ele morava em Casa Amarela, em imóvel com quintal grande, daqueles dos tempos de nossos avós. E brincava na sombra das árvores – mangueiras, abacateiros, caramboleiras, coqueiros – e outras mais que nem lembro. Um dia, seus pais se mudaram para nova residência, no bairro da Tamarineira. O quintal era menor, cimentado, não tinha plantas. Na primeira vez que voltou à casa antiga, para visitar sua nova moradora – a avó  materna, Maria José – Guilherme correu desembestado para o quintal. E abraçou todas as árvores.

Mais uma "vítima" de tentativa de homicídio. Desse jeito, onde o Recife vai parar?
Mais uma “vítima” de tentativa de homicídio. Desse jeito, onde o Recife vai parar? “Genocídio” oficial virou regra na Capital.

Como vocês podem observar, nossas amigas não se limitam a nos dar sombra, oxigênio, a refrigerar o clima. Elas fazem parte de nossas memórias afetivas. Lembro-me, também, das calçadas sombreadas de minha infância. E recordo que, em muitas cidades, não vejo tanto “toquinho” de árvore, como aqui no Recife, o que virou regra na atual gestão. Gente, o que é isso? Que “genocídio” é esse? Por favor, “parem de derrubar as árvores”, imploro, repetindo o que já está inscrito por anônimos revoltados, nos muros da cidade.

Pois, eu sou chata, insisto, persisto e não desisto de criticar esse “genocídio”. Em 2017, o #OxeRecife vai registrar todas os “homicídios” e “tentativas de assassinato” de nossas árvores. No fim do ano,  divulgará a estatística observada, com os locais das respectivas “vítimas”. A primeira do ano é essa “vítima” que vi hoje, em minha caminhada matinal, na Rua Agrestina, no bairro de Santana, Zona Norte do Recife. Sinceramente, essa situação é revoltante. #OxeRecife

(Texto e fotos: Letícia Lins /  #OxeRecife)

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