“Eça” praça é mesmo nossa

Mais um exemplo de cidadania no Recife,  com outra praça assumida informalmente pelos moradores. É a Eça de Queiroz, localizada no bairro da Madalena, que hoje foi saudavelmente ocupada pelo evento “Eça é a nossa praça”, quando centenas de famílias  se reuniram para curtir o espaço, saborear comidinhas, conversar, comprar ou trocar livros,  ver apresentações musicais. E as crianças tiveram direito a contação de histórias. A Eça de Queiroz, como a maioria das praças recifenses, vivia em situação de completo abandono.

Esta suja, sem lixeiras,  e tinha as lâmpadas  sempre queimadas. Moradores do entorno decidiram agir. “Cada um faz a sua parte. Os moradores se articularam, conversaram com os comerciantes, e todos agora cuidam dela”, afirma Thiago Martins Rego. Criador do evento “Eça é a nossa praça”, ele é neto de Eduardo da Mota Vieira Rego, português de São Miguel dos Açores, que morou ali no século passado, ao lado de um terreno baldio, onde as pessoas até jogavam lixo.  Foi quando o então Prefeito Pelópidas da Silveira implantou a Praça, e Eduardo lhe pediu que a chamasse Eça de Queiroz, para homenagear o famoso escritor português (1845-1900). O Prefeito atendeu ao pedido do amigo.

Morador da Praça Eça de Queiroz, Thiago criou o evento para estimular a convivência entre vizinhos.
Thiago criou  “Eça  é a nossa  praça” para estimular a convivência entre vizinhos e homenagear o escritor português.

“Dos escritores portugueses famosos, Eça de Queiroz é o único que tem praça no Recife dedicada a ele. Aqui não temos Praça Camões nem Fernando Pessoa”, diz Thiago, lembrando dos poetas mais famosos do  país do seu avô. A filha  de Thiago se divertia no evento. A menina frequenta a Praça diariamente.  “Cresci aqui, minha menina pertence à quarta geração que cresceu brincando na Eça de Queiroz. A gente tem uma ligação afetiva e forte com a Praça, que estava abandonada”, conta ele.

O evento da tarde do sábado teve dez expositores, com produtos que iam de livros a plantas, de doces a sucos, de fotografias a aquarelas. Isso sem falar em brincadeiras para a criançada. Ao todo, mais de 500 pessoas circularam pela Praça durante o evento. “É muito interessante que os moradores se apropriem do espaço público”, afirma Thiago, para quem a verticalização da cidade impõe cada vez mais iniciativas desse tipo. “Nós precisamos descer do prédio, conhecer os vizinhos, conversar com eles, olhar nos olhos das pessoas, pois estamos ficando muito virtuais. Esse evento é uma forma de fazer isso”.

Moradora da Madalena quando criança, Márcia Lira era uma das expositoras. Ela tem um blog “Menos um na estante”, através do qual estimula a doação e a troca de livros. “Gosto muito desse bairro, frequentava essa praça, e acho a iniciativa muito saudável, com um clima muito gostoso, uma festa muito família. É muito bom esse movimento, porque estimula a convivência das pessoas”. Na sexta-feira, o #OxeRecife mostrou o exemplo da Praça Professor Fleming, na Jaqueira, cujos moradores fizeram uma associação, que cuida da manutenção dos seus jardins.

(Fotos: Letícia Lins / #OxeRecife)

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