O Recife ganha mais um baobá

Nesses tempos de extermínio oficial das nossas árvores – foram quase 5 mil erradicadas desde 2013 no Recife – uma notícia boa: mais um baobá plantado na capital. Foi hoje, na Escola de Referência do Ensino Médio Professor Cândido Duarte, localizada no bairro de Apipucos, na Zona Norte. Como se sabe, o Recife é definido como a “Cidade dos Baobás” pelo etnobotânico John Rashford, um dos maiores especialistas do mundo na árvore. Ele é professor do Charleston College, instituição localizada nos Estados Unidos, e já esteve várias vezes em Pernambuco para estudar essa planta mágica, que tem origem na África.

O plantio contou com a presença do historiador Alexandre L´Omi L´Odò, do Quilombo Cultural Maluguinho, do professor Rodrigo Correia e de Fernando Batista, que fez a entrega da muda. O #OxeRecife considera Fernando como o maior semeador de baobás do Brasil. Ele já plantou tantos filhotes da árvore, que perdeu as contas das cultivadas no Recife e das mudas distribuídas pelo País, sendo a Bahia o estado que recebeu até agora o maior número de doações. No Recife, há treze baobás adultos tombados. O plantio do baobá faz parte das comemorações para assinalar o Mês de Consciência Negra, naquele educandário. A escola encontra-se ocupada por estudantes, que protestam contra o Projeto de Emenda Constitucional do Teto dos Gastos Públicos. Mas eles fizeram questão de ouvir as palestras e participar do plantio da árvore.

“O baobá representa a ancestralidade africana”, diz Alexandre. “É a árvore do tempo, a árvore sagrada, a morada dos espíritos dos nossos ancestrais”, acrescenta. E afirma que por viver até 3 milênios, a planta é um símbolo de “resistência e resiliência do nosso povo”. Para Alexandre, “o plantio é algo muito profundo, com respeito à luta dos negros no nosso País”. O baobá foi plantado no terreno do colégio, onde conviverá com dez palmeiras imperiais, três cajazeiras adultas e uma jurema. “Se a jurema simboliza a religiosidade dos índígenas, crenças e lutas, o baobá representa a presença da África no Brasil”, disse Rodrigo. Recentemente foi lançado o livro “O Bê-a-Bá do Baobá”, do cordelista Ernando Alves de Carvalho, outro estudioso da planta. E Fernando apresentou dissertação de  mestrado em que mostra a importância da planta sagrada nos cultos religiosos de origem africana.

(Foto: Letícia Lins / #OxeRecife)

 

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