Da árvore, só restou o pó de serra

Como caminho diariamente, acompanhei o suplício da árvore da foto, que fica na esquina da Rua Desembargador Góis Cavalcanti com a da Rua Misael Montenegro, no bairro do Parnamirim, perto do Supermercado Pão de Açúcar. Passo sempre lá. Era uma árvore frondosa, que oferecia uma sombra imensa.

Há cerca de um mês, ao passar no local, observei que ela tinha passado por uma poda rigorosa. Uma daquelas que levou o Conselho de Meio Ambiente Municipal a cobrar  explicações à Prefeitura, no ano passado, quando mais de 40 mil mutilações e quase 5 mil erradicações já haviam sido realizadas. A população tem se queixado muito das duas iniciativas, porque o que se observa é que muitas plantas vêm sendo suprimidas sem razão aparente. E as podas exageradas começam a matá-las.

Essa tentou sobreviver à poda radical, mas foi "assassinada". Só restou o pó de serra no chão.
Essa tentou sobreviver à poda radical, mas foi “assassinada”. A motossera passou lá sem dó, se só deixou o pó no chão.

Umas, no entanto, fazem o maior esforço para sobreviver. É o que está acontecendo com alguns troncos que tinham virado tocos, na Rua do Futuro. Quanto a esta, da Rua Desembargador Góis Cavalcanti, cheguei a registrar no meu Facebook, que estava feliz, porque a planta “insiste, persiste e não desiste”. Do seu tronco mutilado, brotavam folhas novas. Pois esta semana passei no mesmo local, só para ver a quanto andava a sobrevivência da árvore.

E o que vi? Muito pó de serra no chão. Deu tristeza, observar que no lugar do tronco brotando, só tinha a “sepultura”. Um canteiro vazio, onde o que restava da planta era apenas o excesso do chamado pó de serra no chão. Diz a Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb) que para cada árvore derrubada, duas são plantadas. Só queria saber onde.

(Fotos: Letícia Lins / #OxeRecife)

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